São Paulo
Lei sancionada por Bruno Covas torna obrigatória sessões adaptadas para crianças autistas em cinemas de São Paulo

Sessões mensais terão menos luz e barulho

15/01/2020 21h21 - Por Orlando Neto

Foto: Estadão

Autor: Orlando Neto

Na última terça-feira (14), foi sancionada pelo prefeito Bruno Covas, a Lei 17.272/20, que obriga os cinemas da capital a exibirem pelo menos uma vez ao mês, uma sessão adaptada para crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA). As sessões terão o volume de som mais baixo e as luzes não serão apagadas totalmente, além de que, será liberada a circulação, a entrada e a saída de pessoas durante toda a exibição do filme.

O descumprimento da lei acarreta em multas que variam entre R$3 mil a R$10 mil, e até mesmo o fechamento do estabelecimento. A publicidade também está vetada durante a exibição. Os valores cobrados pelos ingressos estão liberados e as sessões terão de ser identificadas pelo símbolo mundial do espectro autista na entrada da sala.

Resta-nos saber: trata-se de mais uma lei criando exigências ao setor privado, fornecendo mais ferramentas para fiscalizações e multas ao estado, ou se trata de uma lei realmente benéfica para crianças e adolescentes com TEA?

É importante ressaltar que, o Cinemark, já dispõe de abafadores de som, não só para crianças autistas, mas também para crianças que sejam portadoras de qualquer outro tipo de deficiência. Porém, quase ninguém sabe disso, já que não é divulgado.

Por um lado, portadores do transtorno do espectro autista, possuem estereotipias, sons em alto volume e muita luz ambiente, tendem a incomodá-los, prejudicando sua atenção, e talvez, as exigências descritas na lei possam auxiliar essas pessoas, principalmente, crianças e adolescentes a desfrutarem mais confortavelmente de uma sessão de cinema.

Por outro lado, os cinemas certamente irão cumprir a lei e irão promover sessões obrigatórias em horários alternativos, exibindo filmes que, não necessariamente serão apreciados pelos portadores de TEA, de várias idades e gostos diferentes, o que fatalmente geraria baixo interesse do público alvo, e resumidamente, as empresas não irão arcar com o prejuízo de promover essas sessões em horários de maior demanda.

Hoje, já existe uma iniciativa de uma empresa social sem fins lucrativos chamada: CINEMATERNA. Ela promove em diversos cinemas, sessões voltadas às mães lactantes com características muito semelhantes às exigidas na Lei para os autistas, sempre com filmes voltados ao público adulto das puérperas em horários alternativos. Mas essa é uma iniciativa privada com resultados a serem avaliados e que não existe por lei!

Será essa mais uma medida marqueteira do nosso prefeito? Já que ele se elegeu como vice do mestre do marketing, João Doria? Ou essa lei realmente promoverá uma maior inserção social aos portadores de TEA, proporcionando aos mesmos maiores opções de lazer e cultura? O tempo nos dirá, estaremos atentos!

Revisores: Cynthia Capucho.

Fonte: R7.