Opinião
Intervencionismo Viral: O grande sucessor das crises

O que está por vir é pior do que veio?
Um breve aviso analítico dos perigos ideológicos após a crise do Covid-19.

24/03/2020 14h07 - Por Matheus Reis

Em plena pandemia, com inúmeras pessoas sendo dizimadas por um vírus, não é extremamente inadmissível se preocupar com economia e análise política pós-crise? Não. A Economia é, resumidamente, a forma que os indivíduos, as instituições ou nações lidam com a escassez, e esta é capaz de causar ainda mais mortes que o Covid-19.
É de desmedida importância o debate e a análise prévia de prováveis acontecimentos futuros, possibilitando uma espécie de corrida dos cientistas políticos e economistas contra temerários ideais vindo à tona. O que ocorre entre os cientistas e quaisquer vírus é justamente isto: uma corrida. Neste exato momento está havendo uma corrida, na qual epidemiologistas precisam se antecipar e tomar a frente contra todo vírus que apareça e evitá-lo, como esclarecido por um biólogo:

“Epidemiologistas estão em uma constante corrida contra alguma nova variedade de micróbios, contra os quais os seres humanos não têm nenhuma imunidade. Esses bichos desenvolvem imunidades contra as inoculações da ciência. Os cientistas, por muito pouco, ainda conseguem se manter à frente dos bichos. Mas chegará o dia em que os bichos ultrapassarão os cientistas. Este será o dia em que começará uma pandemia.”

A pandemia começou, não por imprudência ou falta de capacidade de epidemiologistas, mas pelo simples fato do Coronavírus ter ultrapassado os cientistas. O mesmo pode ocorrer com a política econômica e ideológica global caso não haja um avanço liberal e minarquista alertando sobre os perigos do que está por vir.
Durante a pandemia, todos ouviram propostas como, por exemplo, estas três:

  1. Proibir aumento dos preços gerado pela disparidade da demanda.
  2. Estatizar todas as empresas privadas, para que não haja “lucro em cima da miséria alheia”.
  3. Críticas falaciosamente toscas ao capitalismo, quando o mesmo não tem relação alguma.
    Eis que vemos as pessoas que Ludwig von Mises denominava “intervencionistas” aparecendo com toda a força. Mas, como dito anteriormente, o perigo maioral não é o que está presente, mas o que está por vir. Estas frases são leves, sorrateiras e até mesmo inocentes para a maioria dos leitores, no entanto, abrem portas para verdadeiros estatistas e paternalistas no pós-crise.
    No Brasil, provavelmente veremos um fortalecimento de Ciro Gomes e seus ideais nacional-desenvolvimentistas, por mais que estes tenham nos causado um extremo prejuízo nos anos de Ditadura Vargas, na década de 50 e nos anos 60. Há a necessidade de combater retoricamente o “quinteto fantástico”: Estatização, industrialização, protecionismo radical, nacionalismo e, claro, intervenção.
    Os liberais precisam tomar a partida, oferecer propostas e saídas sustentáveis, que amenizem os males pós-crise para que pessoas não morram de fome, seja lá uma semana, um mês ou até vinte anos depois da pandemia ter chegado ao fim. Tudo depende de quem vencer a corrida, liberais ou intervencionistas.
    Estamos atrás, principalmente quando vemos a maior força política popular do país – os jovens – se renderem ao estatismo e paternalismo, tornando-se verdadeiros aspirantes a ditadores. Basta lermos as redações nota mil no ENEM dos últimos anos e veremos que o problema é estrutural e mais profundo do que imaginamos, propostas de intervenção como “políticas públicas para mostrar o que pode e o que não pode fazer na internet”, em outras palavras, censura.
    Os liberais não podem permitir que se repita o que ocorreu após a Grande Depressão de 1929, pela qual o Liberalismo econômico foi – falsamente – responsabilizado e as ideias de John Maynard Keynes progrediram paulatinamente.
    É necessário que sejam espalhadas de maneira informativa e argumentativa as propostas liberais e/ou libertárias para o que está por vir, caso contrário, ocorrerá uma onda crescente de defensores do Estado Máximo e centralização econômica. É possível amenizar a quantidade de vítimas, basta ultrapassar o intervencionismo e seus inocentes admiradores antes que o vírus dos socialistas de cátedra se fortaleça.