Rio Grande do Sul
Havan abre filial em Pelotas sem a Estátua da Liberdade, entenda o motivo

As réplicas da Estátua da Liberdade são marca registrada da rede de lojas, mas ficaram de fora dessa vez.

26/01/2020 23h39 - Por Renan Della Costa

No último sábado (25), o empresário Luciano Hang – dono da rede de lojas Havan – esteve na cidade de Pelotas/RS para a inauguração de sua 7ª loja no Rio Grande do Sul. Estima-se que o empreendimento vá gerar 150 empregos diretos e 25 milhões de reais em investimentos. O evento foi marcado para às 10 da manhã, mas desde as 8h já se formava uma multidão de pessoas no estacionamento, ansiosas para entrar na loja e conhecer o “Véio da Havan”. Mas um fato curioso chamou a atenção de todos: a famosa réplica da Estátua da Liberdade, símbolo da rede, não estava lá.

O advogado e presidente do Clube Austral, Daniel Kaltbach, que também é coordenador do núcleo do MBL em Pelotas, chamou a ausência da estátua de “silêncio que grita”. Em suas redes sociais, Kaltbach explica o porquê. “Conheci o Luciano Hang no 4º Congresso Nacional do MBL, realizado em novembro de 2018 e perguntei sobre a possibilidade de instalar uma Loja Havan em Pelotas; ele se mostrou interessado e comentou sobre as possíveis dificuldades”.

No início de 2019, foi anunciado que a Havan fechou contrato para construir a loja no terreno do Jockey Club de Pelotas, para a felicidade dos pelotenses, exceto de alguns que, devido a sua ideologia retrógrada, se mostraram contra. Um vereador da cidade, o mesmo que em 2017 acusou Daniel, na Tribuna da câmara de vereadores, de “receber dinheiro do grande capital americano“, chamou os apoiadores da vinda da loja de “fascistas” e marcou uma fracassada manifestação contra. De nada adiantou.

Após o anúncio, já começaram os empecilhos: o Conselho Municipal de Cultura fez uma denúncia ao Ministério Público para tentar barrar a construção, afirmando que “a instalação da loja alteraria parcialmente a área das raias de corrida do hipódromo da Tablada, desfigurando o patrimônio cultural da cidade e ferindo a legislação“. Com o anúncio, começaram a campanha e o ativismo pela vinda do empreendimento, sendo realizadas diversas ligações, postagens na internet e até mesmo uma manifestação no Chafariz do Calçadão. 

Como resposta, a Câmara de Vereadores alterou a Lei municipal, que tratava das raias do hipódromo e o MP deu parecer favorável à vinda da Loja. Parecia tudo bem, porém, em seguida veio outro empecilho: o Comando Aéreo Regional (Comar) afirmou não serem permitidas edificações maiores que 25 metros na área, sendo que a estátua tem mais de 30. Como solução, ela precisaria ser reduzida ou obter uma autorização da Aeronáutica.

Cristina Soares, professora e filiada ao Clube Austral, esteve presente em diversos momentos durante a obra e conversou com os responsáveis, que segundo ela teriam contado que não haveria estátua. Ela argumentou que a Caixa D’agua do Maxxi Atacado está na mesma região e possui mais de 30 metros, assim, teria pedido para que eles conversassem sobre isso com o engenheiro e utilizassem como argumento. A polêmica continuou e dias depois, a assessora de imprensa da Havan, Elaine Malheiros, confirmou que a filial da Havan em Pelotas terá sim a estátua, porém não na inauguração. 

Agora resta a dúvida se ela terá seu tamanho padrão ou se será reduzida, quando e se chegar. Toda essa situação, desde a polêmica com o Conselho de Cultura até o Comar, é um silêncio que grita e um exemplo de como a burocracia estatal atrapalha o empreendedorismo e atrasa o progresso econômico e social do País.