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Funerária de Belo Horizonte recebe 73 corpos em apenas 72 horas

De acordo com boletim, 23 mortes foram causadas por dificuldades para respirar

23/03/2020 16h23

Belo Horizonte – Entre a sexta-feira (20/03) e domingo (22/3) uma funerária da capital mineira recebeu 73 cadáveres. De acordo com laudo cadavérico, das 73 mortes, ao menos 23 foram causadas por problemas respiratórios graves, como “insuficiência respiratória aguda”, “pneumonia crônica” e “pneumonia aspirativa”. Todas as causas são sintomas do novo coronavírus. Em contrapartida, dados do governo não citam mortos por COVID-19 no estado de Minas.

De acordo com um Boletim de Ocorrência (B.O) policial, policiais receberam uma denúncia anônima que a funerária havia recebido 41 corpos em 48 horas. A denúncia ainda falava em aglomeração de pessoas no local. Informação confirmada pela polícia, ao chegar no local.

Em contato com o Correio Braziliense o gerente do local, Sérgio José, afirmou que o local nunca recebeu essa quantidade de corpos em um espaço tão curto de tempo. Ele ainda disse que é um fato atípico em seus 30 anos de carreira. “Sim, recebemos muitos corpos desde sexta. Dobrou (a quantidade) por conta das mortes por insuficiência respiratória”, afirmou José.

Outros funcionários do local, que preferiram não se identificar, confirmaram as informações. De acordo com informações do boletim, dos 23 corpos, apenas um, que tinha como causa da morte o COVID-19, for enterrado sem sepultamento. Os outros corpos, passaram por procedimentos comuns e foram levados para despedida dos familiares.

Fontes, do Correio Braziliense, no governo mineiro afirmam que o registro de ocorrência foi cancelado.

A equipe do MBL News MG teve acesso ao Boletim de Ocorrência e disponibilizará, abaixo, na íntegra. Observação: retiramos apenas o nome da empresa e o número das certidões de óbito, em respeito a privacidade das famílias.

ILUSTRE SENHOR TEN-CORONEL – COMANDANTE DO 5o BPM
DURANTE PATRULHAMENTO, RECEBEMOS UMA DENÚNCIA ANÔNIMA DE PESSOA QUE NÃO QUIS SE IDENTIFICAR RELATANDO QUE NO ESTABELECIMENTO DENOMINADO FUNERÁRIA “RETIRADO PARA PRESERVAR A EMPRESA“, LOCALIZADO NO ENDEREÇO SUPRA MENCIONADO, ESTARIAM CHEGANDO VÁRIOS CORPOS, CERCA DE 41 (QUARENTA E UM) CADÁVERES ORIUNDOS DE DIVERSAS CIDADES DA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE, NUM INTERVALO DE 48 HORAS, E QUE A MAIORIA DOS MORTOS TERIA SIDO DIAGNOSTICADO COM SINTOMAS DO VÍRUS COVID-19. E QUE NESSE LOCAL ESTARIAM CERCA DE 15 ALUNOS ESTAGIÁRIOS DO CURSO DE TANATOLOGIA REALIZANDO ESTUDOS NOS DIVERSOS CADÁVERES.
DE POSSE DESSA INFORMAÇÃO DESLOCAMOS IMEDIATAMENTE PARA O LOCAL ONDE FOMOS RECEBIDOS PELO SR. SÉRGIO, GERENTE DO ESTABELECIMENTO (ENV.01), QUE AO TOMAR CONHECIMENTO DA DENÚNCIA PASSOU A RELATAR QUE DE FATO O ESTABELECIMENTO TEM RECEBIDO UMA QUANTIDADE MUITO ELEVADA DE CORPOS, CUJA CAUSA-MORTE CHAMOU SUA ATENÇÃO E DE SEUS FUNCIONÁRIOS, POIS A MAIORIA DAS DECLARAÇÕES DE ÓBITO DIAGNOSTICOU “INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA”, “PNEUMONIA CRÔNICA”, “PNEUMONIA ASPIRATIVA”, ETC, E TODOS COM FAIXA ETÁRIA ENTRE 50 A 90 ANOS DE IDADE, SOMENTE UMA PESSOA COM IDADE DE 49 ANOS. QUE ESSES CORPOS SÃO ORIUNDOS DE DIVERSAS CIDADES: BELO HORIZONTE, CONTAGEM, BETIM, MATOZINHOS, SETE LAGOAS, E UM CASO NO HOSPITAL DA POLÍCIA MILITAR – HPM.
A FIM DE DIRIMIR DÚVIDAS SOBRE O QUANTITATIVO MENCIONADO NA DENÚNCIA ACIMA, O SR SÉRGIO ALEGOU QUE, DESDE A ÚLTIMA SEXTA-FEIRA (20/03/2020) ATÉ A PRESENTE DATA/HORÁRIO, TERIA DADO ENTRADA NA FUNERÁRIA CERCA DE 73 CADÁVERES, QUANTITATIVO EXTREMAMENTE ELEVADO PARA A ROTINA DAQUELE ESTABELECIMENTO, E QUE DESDE OS 30 ANOS DE SUA PROFISSÃO NÃO SE RECORDA DE TAMANHA QUANTIDADE NESSE PEQUENO INTERVALO DE TEMPO.
NESSE MOMENTO O SR SÉRGIO PASSOU A CONFERIR TODAS AS DECLARAÇÕES DE ÓBITOS RECEBIDAS NAS ÚLTIMAS 72 HORAS SENDO APURADO A QUANTIDADE DE 23 CASOS DE FALECIMENTO COM OS DIAGNÓSTICOS DESCRITOS ANTERIORMENTE, E QUE TERIA RECEBIDO RECENTEMENTE UM CASO NA CIDADE DE BETIM, CUJO LAUDO MÉDICO DESCREVE “VIGÊNCIA DA PANDEMIA COVID-19”, CONFORME REGISTRO NA DECLARAÇÃO DE ÓBITO N. 27208480-0. PORÉM ESSE CADÁVER PERMANECEU NA EMPRESA FILIAL NAQUELA CIDADE, SENDO ORIENTADO QUE APÓS A PREPARAÇÃO DO CORPO DEVERIA SER ENCAMINHADO DIRETAMENTE AO CEMITÉRIO, PARA SEPULTAMENTO.
QUANTO À PRESENÇA DOS ALUNOS ESTAGIÁRIOS NO LOCAL, O SR. SÉRGIO ALEGOU QUE O FATO TERIA SIDO MAIS CEDO, E QUE EM RAZÃO DOS RISCOS DE CONTÁGIO, TODOS FORAM LIBERADOS.
SEGUEM EM ANEXO NÚMERO DAS DECLARAÇÕES DE ÓBITO E CERTIDÕES;
Retirado para preservar os mortos.
REGISTRO PARA VOSSO CONHECIMENTO.

ATUALIZAÇÃO

Por meio de vídeo o Secretário de Estado de Saúde (SES-MG), Carlos Eduardo Amaral esclareceu que não houve mortes decorrentes do COVID-19 no Estado e que a Vigilância Sanitária não tem informações de que os óbitos descritos no B.O possuem vínculo com o COVID-19.

A Polícia Civil informou que não cabe à corporação “examinar corpos de pessoas que morreram em decorrência de doença infectocontagiosa, salvo quando da ocorrência de algum crime associado”. Disse, ainda, que, “desde o início da pandemia, não houve, no IML, registro de óbito causado pelo COVID-19”.

O Grupo Zelo, responsável pela funerária emitiu nota afirmando que “os atendimentos estão dentro da normalidade” e que “o número de atendimentos teve um aumento nos últimos dias, mas nada que possa ser considerado significativo, estando dentro da regularidade para essa época do ano”, contrariando o depoimento do gerente.

Afirmou, ainda, que não é responsável pela emissão de atestados de óbitos. Por fim, o grupo disse que o hospital deve comunicar imediatamente a funerária em casos de óbitos causados por COVID-19, o que “não ocorreu até o momento presente”. (leia o comunicado na íntegra abaixo)

“COMUNICADO À IMPRENSA

Ciente de sua responsabilidade social e da importância da transparência em suas operações, o Grupo Zelo tem a informar o seguinte:

1 – Em relação ao Boletim de Ocorrência da Polícia Militar de Minas Gerais, de que o Grupo Zelo estaria recebendo um volume alto de óbitos em sua unidade Gameleira, podemos afirmar que todos os atendimentos estão dentro da normalidade.

2 – O número de atendimentos teve um aumento nos últimos dias, mas nada que possa ser considerado significativo, estando dentro da regularidade para essa época do ano.

3 – O Grupo Zelo não é responsável pela emissão de atestados de óbitos, portanto está impossibilitado de atestar a causa mortis dos atendimentos realizados.

4 – Todos os nossos colaboradores estão preparados para fazer os atendimentos segundo normas de segurança e portando os Equipamentos de Proteção Individual necessários.

5 – Até o momento, o Grupo Zelo não recebeu comunicação de nenhum caso de Covid-19 confirmado por parte dos hospitais.

6 – Quando há o caso específico de risco biológico para doença infecto-contagiosa como a Covid-19, a recomendação das autoridades de vigilância sanitária é de não se fazer a tanatopraxia, ou seja, o corpo deve ser levado ao laboratório, onde é colocado na urna. A mesma deve ser lacrada e enviada diretamente para sepultamento.

7 – Nesses casos, o hospital deve comunicar imediatamente a funerária no momento da remoção, o que, conforme já comunicado acima, não ocorreu até o momento presente.

8 – O Grupo Zelo está à disposição para quaisquer novos esclarecimentos relacionados ao assunto.

SOBRE O GRUPO ZELO

O Grupo Zelo nasceu em 2017, com a aquisição da Funerária Bom Jesus e da carteira de clientes das empresas Santa Clara, Santa Rita e Bom Pastor. Teve as suas atividades iniciadas no mercado funerário de Minas Gerais a partir do termo de ajustamento da regulamentação dos planos de assistência funerária no Brasil.

O Grupo Zelo está presente em mais de 600 cidades em todo o país – com 65 unidades espalhadas em 40 cidades em três estados. O Grupo cresce continuamente com foco na oferta de estrutura completa para o atendimento, do início ao fim, de serviços de assistência funerária.

ASSESSORIA DE IMPRENSA DO GRUPO ZELO”

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