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São Paulo
Favelas verticais

Construções irregulares extremamente altas são uma visão comum nas favelas da cidade de São Paulo.

13/09/2019 00h12 - Por Rodrigo Vieira

(Foto: Vejasp.abril.com.br)

As favelas estão crescendo na cidade de São Paulo porém esse crescimento não vem ocorrendo em extensão, mas sim em altura e por conseguinte, em área habitável. As construções estão cada vez mais altas. Essas “super” casas ou mini prédios, chame-as como preferir, já se tornaram tão comuns nas favelas paulistanas que alguns ganharam até apelidos, é o caso do “Copan” de paraisópolis. Um complexo de sete edificações, cada uma com seis andares e oitenta e quatro apartamentos no total, onde vivem cerca de trezentos moradores, como informa o artigo da Veja São Paulo. Em alguns casos, esses mini-prédios surgem pela necessidade de ter uma casa maior para abrigar a família. Já em outros casos essas edificações surgem com a função de gerar uma renda extra com o aluguel de apartamentos. Em paraisópolis, um único proprietário, não identificado, possui vinte e quatro apartamentos no “Copan” e mais cinquenta imóveis espalhados pela comunidade que lhe dão um rendimento de R$53.000,00/mês.
Algo deve ser levado em consideração. Essas “super” casas ou mini prédios improvisados são construções irregulares, não possuem autorização da prefeitura (e nem de uma instituição certificadora privada) para sua execução, não contam com plano elaborado por um arquiteto nem com visitas de engenheiros: conta-se apenas com a experiência dos pedreiros.

Em entrevista à Folha, a arquiteta Elizabete França diretora do Studio 2E Ideais Urbanos disse, “seguro 100% não são. Mas em geral, nessas obras os pedreiros colocam mais ferro e concreto que o necessário. Quando a laje está subindo, é possível ver a quantidade de ferro. É uma espécie de sabedoria popular”. Também afirmou que por conta da irregularidade das edificações fica difícil a fiscalização de órgãos como a Secretaria de Habitação da Prefeitura de São Paulo, onde a arquiteta também já atuou. Em entrevista à redação, o engenheiro e coordenador do MBL da cidade de São Paulo Fernando Dainese, afirma que: “A sabedoria popular mencionada pela arquiteta além de, em alguns casos, superdimensionar de forma boa (causando mais firmeza) e em outros pode superdimensionar de forma a fornecer mais carga e, consecutivamente maior força de cisalhamento agindo sobre a unidade de concreto. Isso é um risco de desastre anunciado para todas as pessoas que lá habitarem”.

A Burocracia para se viabilizar a ATG (Assistência Técnica Gratuita), onde arquitetos e engenheiros podem ajudar em projetos construtivos sem custo para pessoas de baixa renda, com certeza piora este cenário de muitas “autoconstruções” que vez ou outra acabam desabando e fazendo vítimas.
Os Conselhos não atuam de forma incisiva quanto a fiscalização, nem com as denúncias de exercício ilegal da profissão. Na maioria das vezes nem atendem as denúncias feitas pelos próprios profissionais enquanto o cenário caótico só cresce nas favelas, comunidades e bairros da periferia.

Revisores: Cynthia Capucho e Felipe Donadi.
Fonte: Vejasp.abril.com.br