Minas Gerais
Ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, denunciado pelo MP de Minas Gerais.

Fabio Schvartsman, presidente da Vale de 2017 a 2019, foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais, por homicídio duplamente qualificado e crimes ambientais decorrentes do rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho

22/01/2020 19h13

Fabio Schvartsman, presidente da Vale de 2017 a 2019, foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais, juntamente com 16 pessoas, tanto da Vale quanto da empresa alemã Tuv Sud, por homicídio duplamente qualificado e crimes ambientais decorrentes do rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho que deixou 270 mortos sob os 10,5 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Prestes a completar 1 ano da tragédia, próximo dia 25, a empresa, Vale, registra lucro líquido de R$ 6,5 bilhões no terceiro trimestre de 2019, uma alta de 13,7% com relação ao igual período do ano passado.

“A situação inaceitável (intolerável) de segurança geotécnica da Barragem I da Mina Córrego do Feijão era plena e profundamente conhecida pelos denunciados, os quais concorreram para a omissão na adoção de medidas conhecidas e disponíveis de transparência, segurança e emergência, assumindo, dessa forma, o risco de produzir os resultados mortes e danos ambientais decorrentes do rompimento da Barragem I”, diz a Procuradoria em documento de 477 páginas.

O MP, ainda, discorre sobre o volume de lama da barragem: “Ao longo de décadas, foram depositados cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeito na Barragem I, o equivalente ao volume de cerca de 400.000 caminhões-pipa, 4.800 piscinas olímpicas ou superior à Lagoa da Pampulha. O peso do rejeito chega a aproximadamente 30 milhões toneladas, o equivalente ao peso de mais de 37.500 mil veículos VW fusca”.

Desde 2017, “a Barragem I, na Mina do Córrego do Feijão, sob a responsabilidade da VALE e supervisão técnica da TÜV SÜD, apresentava situação intolerável de riscos geotécnicos, com Fator de Segurança abaixo do mínimo aceitável (tolerável) e Probabilidade de Falha acima do máximo aceitável (tolerável), notadamente para os modos de falha (rompimento) de liquefação e erosão interna. Desde 2017 até o rompimento, outras anomalias se seguiram, reforçando e incrementando o risco conhecido e não controlado, com o aprofundamento progressivo da situação de emergência da Barragem I, ainda que ocultada pela VALE”.

Além das perdas humanas, dos 270, 11 estão desaparecidas, com relação à fauna, os denunciados e as duas empresas “mataram “espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, bem como modificaram, danificaram e destruíram ninhos, abrigos ou criadouros naturais (art. 29, caput, e art. 29, §1º, II, Lei n.º 9605/98). O crime foi praticado em unidades de conservação (art. 29, § 4º, V, Lei n.º 9605/98) e ocorreu com emprego de método capaz de provocar destruição em massa”.

Fonte: BrPolítico

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