São Paulo
Em eventual licença de Bruno Covas, ex-secretário de Haddad poderá assumir a prefeitura de SP

O vereador Celso Jatene (PL) assumirá a prefeitura caso Covas se licencie

30/01/2020 23h01 - Por Orlando Neto

O prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), está passando por um momento muito delicado com relação a sua saúde. Desde que o prefeito foi diagnosticado com câncer, a possibilidade de vacância do cargo tem sido cogitada e discutida pelo executivo e legislativo municipal.

Bruno Covas foi eleito como vice-prefeito na chapa de João Doria, e atualmente, o cargo de vice-prefeito está vago. A linha sucessória determina que nestes casos, assumam a prefeitura o presidente da Câmara Municipal e o vice sucessivamente. O grande entrave neste caso é que, tanto o presidente da Câmara, Eduardo Tuma (PSDB), quanto o vice Milton Leite (DEM), já declararam sua intenção de disputar a reeleição para vereador, e caso assumam a prefeitura por um dia após o mês de abril, ficariam impedidos pela constituição de se candidatarem a vereador, pois presidentes, governadores e prefeitos podem disputar uma vez a reeleição e, para concorrer a outro cargo, precisam renunciar até seis meses antes da eleição.

As lideranças do executivo e legislativo municipal decidiram que, caso seja necessário, alçar ao posto de substituto de Bruno Covas, o ex-secretário do governo petista de Fernando Haddad e também vereador, Celso Jatene (PL), que não tem pretensão de se reeleger vereador nas eleições municipais de 2020.

Celso Jatene, foi secretário de esportes e lazer do governo Haddad (adversário político de João Doria) de 2013 à 2016, sobrinho do famoso médico cardiologista Adib Jatene, atualmente, ocupa a segunda vice-presidência da Câmara em seu quinto mandato como vereador. Em 2016, trocou o PTB pelo PL, onde permanece até hoje.

Caso assuma a prefeitura, Celso Jatene já indica mudanças na gestão: “Não tenho medo e tenho experiência. Por um dia ou por um mês, teria apenas que segurar a minha vontade de mandar embora uns três secretários, um deles por telefone mesmo, mas conseguiria”, afirma o vereador. Celso Jatene ainda diz que fará mudanças na pasta de Esportes e Lazer, aumentando o seu orçamento, apesar de afirmar que sua disposição de assumir a prefeitura seria apenas em casos pontuais, de extrema necessidade e por períodos muito curtos. Tais afirmações se mostram extremamente contraditórias. Como Celso Jatene planeja mudanças se pretende assumir apenas se for necessário e por períodos curtos? Apesar de todas as lideranças afirmarem que torcem pela breve recuperação do prefeito e que não acreditam na hipótese do seu afastamento por motivos de saúde, fica claro que a articulação política e a disputa eleitoral de 2020 estão no centro do impasse.

Em 2016, quando os paulistanos elegeram João Doria para prefeitura, fizeram sob um forte sentimento anti-petista, quando as manifestações de rua pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ganhavam força e volume. Elegemos alguém que se dizia um gestor, e não um político. Alguém com um viés ideológico contrário à antiga administração e profundamente “anti-establishment“. Quando o então prefeito abandona o cargo, ao contrário do que prometera na campanha, para concorrer ao governo de São Paulo na famigerada “chapa BolsoDoria”, deixou como legado seu vice, Bruno Covas. Um político de pouca ou nenhuma realização e história, cujo grande trunfo é o sobrenome que carrega. Com viés claramente esquerdista, Covas vem demonstrando suas ações e indicações que nem de longe, compactuam com o pensamento que elegeu João Doria.

Ao indicarem um ex-membro do governo petista para a sucessão do prefeito, as lideranças deixam claro esse viés, que vai de encontro as vontades dos eleitores demonstradas nas urnas em 2016. Ao eleitor paulistano, resta aguardar as eleições deste ano, para que novamente, de o seu recado nas urnas.

Fonte: Folha