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Opinião » São Paulo
Eles querem uma ditadura?

Quem se calará diante da ‘profecia’?

04/11/2019 22h07 - Por Beatriz Ferrarez

“Se a esquerda radicalizar a esse ponto [colocando toda a culpa em Bolsonaro] a gente vai precisar ter uma resposta, uma resposta ela pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália, alguma resposta vai ter que ser dada”. Em ipisis litteris, isso é exatamente o que o deputado federal Eduardo Bolsonaro eleito com mais de UM MILHÃO de votos disse na entrevista com a jornalista Leda Nagle em seu canal no youtube (https://www.youtube.com/watch?v=m_cyKtlTpL4).

Segundo o art. 23 da Constituição Federal em seu inciso I, dispondo as competências comuns (paralela ou cumulativa), sendo competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:

I – Zelar pela guarda da Constituição, das leias e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público.

O AI-5 citado pelo deputado tem por objetivo:

I – Fechar o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas;

II – Intervenção em estados e munícipios;

III – Censura;

IV – Cassação de mandatos parlamentares, funcionários públicos, juízes, entre outros.

Mas isso é só a ponta o iceberg, uma vez que, é decepcionante ver um parlamentar eleito democraticamente por aqueles que desejam o novo desta Nação, invocar algum tipo Ato Institucional depois do que o Brasil passou à época da Ditatura Militar, pois no governo de Costa e Silva, conhecido por anos de chumbo, fora instaurado o Ato Institucional de n° 5. Significa um retrocesso na história do país, e, é no mínimo lamentável.

Todavia o que mais me choca é acharem que isso foi “só mais uma fala”, “ele não quis dizer nesse sentido”, “ele pediu desculpas”, afinal, até quando viveremos de desculpas, há tanto a se fazer neste país e ainda discutimos sobre posições ideológicas – o que de fato é importante, mas há tanta coisa mais importante que isto -. Ninguém em hipótese alguma deveria comentar sobre um novo AI-5, é simplesmente antidemocrático e antirrepublicano, na verdade, é uma falta de moral sem tamanho. É negar toda a história vivida.

A jornalista Madeleine Lascko fez seu pronunciamento a respeito de Eduardo Bolsonaro, a mesma citou a frase do pastor batista, Martin Luther King Jr., que diz: “O que me preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que me preocupa é o silêncio dos bons”.

Analisando toda essa problemática, é preciso verificar aqueles que calam convenientemente, mesmo sabendo do perigo que é uma ditadura, logo, por aqueles que defenderam a democracia  e foram aclamados e idolatrados pelo povo que estavam nas ruas durante o período de eleição. Quando é que esse país entenderá que nem sempre as coisas funcionam na repressão. Já que não é preciso limitar a liberdade de uns para que você possa instituir o seu pensamento ao mundo, mas sim, debate-las de modo democrático.

Não é porque a esquerda tenha um planejamento de constituir o socialismo ou o comunismo de forma virulenta, que devemos instituir ordem de forma autoritária.

Paulo Napoleão Nogueira da Silva destaca: “O fisiologismo, o democratismo e a impunidade são, pois, os veículos de que se vale um sistema fundado no autoritarismo para a sua manutenção e perpetuação”. 

É a primeira vez que Eduardo Bolsonaro fala sobre seu “plano” de perpetuação no poder, não só seu, da sua família eu diria. Acredito que devemos nos orientar a respeito dessas falas, que para alguns parecem ser soltas, ou, até mesmo fora de contexto. No entanto, podem ser profetizadas.