São Paulo
Dinheiro desviado por Maluf volta aos cofres da prefeitura de São Paulo

R$ 34,9 milhões são repatriados das ilhas Jersey, provenientes de desvio durante obras da Av. Água Espraiada na zona Sul de São Paulo

06/02/2020 20h25 - Por Orlando Neto

Autor: Orlando Neto

Na última quarta feira (05), a prefeitura de São Paulo recebeu R$ 34,9 milhões das autoridades financeiras das Ilhas Jersey, Reino Unido. Esse montante é referente ao processo em que o ex-prefeito Paulo Maluf, foi condenado pelo STF por lavagem de dinheiro durante as obras da Av. Água Espraiada, atual Av. Jornalista Roberto Marinho, durante os anos de 1993 e 1998.

Em 2014, o STF determinou a devolução desse dinheiro que estava bloqueado em uma conta offshore no paraíso fiscal de Jersey em nome de uma empresa chamada Macdoel Investments, implicada no esquema de lavagem de dinheiro comandado por Paulo Maluf.

No mesmo processo, também foram determinadas devoluções de valores depositados em contas na Suíça, Luxemburgo e França, além da condenação do ex-prefeito a sete anos de prisão.

Este processo, iniciado em 2007, investigava duas empresas. A Durant International e Kildare Finance, que possuíam ações da Eucatex (empresa da família Maluf), as duas faliram e estavam sob o comando de dois liquidantes de Jersey e das ilhas Cayman. A Macdoel devia a estas duas empresas e o rastreamento dessas operações financeiras levou a estas contas e valores que somam US$ 110 milhões recuperados até agora. Mas segundo o MP, esse valor é ainda maior, já que ainda há muito a ser recuperado.

Apenas US$ 8,4 milhões foram devolvidos do total de US$ 13 milhões. Segundo a promotoria, a diferença se dá por conta de despesas processuais. A família Maluf permanece com os seus bens bloqueados para garantir indenizações futuras. Em 2013, a justiça calculou o total a ser devolvido à Prefeitura em US$ 28,3 milhões.

Este intrincado esquema de desvio do dinheiro público arquitetado por Paulo Maluf, e o processo complicado e extremamente demorado que levou a sua condenação e a devolução de parte do dinheiro desviado só nos prova o quanto o crime compensa em nosso país. A sensação de impunidade só aumenta com a demora dos processos decorrente do tratamento diferenciado assegurado pelo “foro privilegiado”, a que políticos têm direito no Brasil.

A importância de operações como a “Lava Jato” fica mais uma vez provada neste caso. Sem esta força tarefa, muito provavelmente, Paulo Maluf e sua quadrilha permaneceriam impunes e os cofres públicos jamais veriam o retorno desses milhões desviados. O ex-prefeito é só um exemplo das práticas da velha política, que ao eleger políticos como ele, o povo da o aval necessário para que tais práticas perpetuem.

Somente com leis mais rígidas e um judiciário forte e ágil, aliados a políticos honestos eleitos pelo voto de opinião, poderemos ter esperança de que esta situação mude.

Revisores: Felipe Donadi e Cynthia Capucho.