Rio Grande do Sul
Depois de quase dois meses, professores do RS suspenderam greve

Mesmo depois de tantos prejuízos aos estudantes, os professores planejam retomar as paralisações.

16/01/2020 09h00 - Por Camila Greff

Na tarde desta terça-feira (14), por 725 a 593 votos, a Assembleia Geral do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul – CPERS/Sindicato – finalmente aprovou a suspensão da greve de professores. Depois de quase dois meses de paralisação e prejuízos aos estudantes da rede pública estadual de ensino, as aulas devem retornar.

Voltamos à sala de aula para preservar o salário da categoria e pelo compromisso com estudantes e a comunidade escolar. Ao contrário de Eduardo Leite, nós temos responsabilidade com nossos alunos”, afirma a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, ignorando deliberadamente as diversas concessões que o governador do Estado se propôs a fazer para por fim à greve e ao drama vivido pelos estudantes.

A deliberação aprovada inclui a exigência do pagamento dos dias parados. A Justiça gaúcha havia mantido a decisão do Governo de cortar o ponto dos grevistas, mas a categoria justifica que os dias de greve serão recuperados e que, portanto, deveriam ser pagos. Há também a previsão de construção de um calendário de mobilização contra o pacote de Reformas do Governo – pelo visto não há greve que chegue ao CPERS. Uma nova manifestação está prevista para o dia 27, na Praça da Matriz.

Após o encerramento da greve a Secretaria da Educação emitiu às Coordenadorias Regionais de Educação uma nova sugestão de reposição das aulas para as escolas que aderiram à greve, entre 14 de novembro de 2019 e 14 de janeiro de 2020. Conforme sugestão da SEDUC, a recuperação começaria já nesta quarta-feira (15) e seguiria até 27 de fevereiro.

A medida busca garantir aos estudantes o direito de, no mínimo, 200 dias letivos, bem como assegurar a carga horária de 800 horas para o Ensino Fundamental e de 1.000 horas para o Ensino Médio. “Grande parte das escolas já iniciaram a reposição do ano letivo ainda no primeiro calendário que sugerimos, que se iniciou em 21 de dezembro. Nossas orientações são para escolas remanescentes, já que grande parte já concluiu o calendário escolar de 2019”, explica o secretário da Educação, Faisal Karam.

Ainda assim, depois de todo o prejuízo causado aos estudantes da rede pública, os professores planejam mais paralisações. É assim que se luta por direitos para a esquerda? Prejudicando a educação de um número incalculável de alunos? Limitando o ensino deles ao “número mínimo de dias letivos”, além de deixar aqueles que estão concluindo o ensino médio sem saber quando conseguirão se formar?

Fonte: Jornal O SUL.