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Delegacia de Nilópolis nega fazer registro de ocorrência de Pai de Santo

De acordo com Marco Vinício, o delegado se recusou a fazer o B.O por causa do especial de Natal do Porta dos Fundos.

30/01/2020 14h12

Mais um ataque a laicidade do nosso Estado. Segundo o jornal O Dia, o Pai de Santo Marcos Vinício Valente de Oliveira não pôde registrar um boletim de ocorrência na 57° DP, em Nilópolis, na Baixada Fluminense.

Tudo começou quando Marco Vinício resolveu ir à delegacia para denunciar uma loja, que de acordo com ele, estaria tocando músicas ofendendo as religiões de matrizes africanas. Segundo o Pai de Santo, o inspetor se recusou a atendê-lo e disse que “já que meu Jesus Cristo pode ser chamado de gay, ninguém vai mais registrar casos como este.” Vale lembrar que o Porta dos Fundos fez um especial de Natal colocando Jesus Cristo como homossexual.

Marcos disse ao jornal O Dia que se sentiu abandonado pelo poder público: “Um atendimento deplorável, eu achei que ele poderia me dar voz de prisão, só estávamos eu e ele na delegacia. Ele abriu os braços, dizendo que ele era evangélico”, afirmou o Pai de Santo.

Depois deste caso de intolerância religiosa, Marco Vinício recebeu ajuda da Superintendência de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa do Estado do Rio de Janeiro. Em seu relato, ele ainda afirmou que o inspetor afirmou que gostaria de ter jogado uma bomba na produtora do Porta dos Fundos. Enfim, Marco Vinício conseguiu registrar o Boletim de Ocorrência na Delegacia Especializada em Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI).

O delegado da 57° DP disse à Polícia Civil que irá ouvir novamente o Pai de Santo. Ainda de acordo com a equipe da DECRADI, a conduta do delegado será apurada.

Jornalista formado pela UniverCidade, pós-graduado em Sociologia, Política e Cultura pela PUC-Rio. Formado em cinema pela New York Film Academy. Um liberal de direita que luta desde sempre pelos ideais que acredita.