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De olho na reeleição: Bruno Covas recorre à liberação de emendas para vereadores a fim de aumentar a sua base de apoio

Bruno Covas acelera liberação de emendas a vereadores em ano eleitoral

13/02/2020 17h33 - Por Orlando Neto

Autor: Orlando Neto

O prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), publicou no diário oficial no início deste mês, um decreto que obriga as secretarias da prefeitura analisarem as emendas apresentadas por vereadores em um prazo máximo de quinze dias. Anteriormente, este prazo era de trinta dias e estava sendo respeitado.

Essa atitude do prefeito visa claramente “agradar” os vereadores em ano eleitoral. Com mais agilidade na liberação desses recursos, cada vereador terá mais oportunidades de mostrar serviço à sua base eleitoral às vésperas das eleições. Assim como o prefeito, a maioria dos vereadores almejam a reeleição e a verba de R$ 4 milhões que cada vereador tem direito em emendas, o que vem bem a calhar em um ano eleitoral.

Os tucanos avaliam ser de grande importância o aumento da base de apoio e as alianças políticas para conseguir manter o poder em São Paulo. As emendas permitem que os vereadores acelerem obras de visibilidade em suas bases, o que aumentaria as chances de reeleição. E com isso, o prefeito acaba por angariar um maior número de aliados.

Com a clara distribuição de cargos a partidos que até então não pertenciam à base do governo paulistano, com esse decreto, os tucanos dizem que já conseguiram o apoio de nove partidos. Entretanto, eles querem mais.

Os vereadores se dizem insatisfeitos com a atual política de execução de emendas por parte das subprefeituras. Por outro lado, a prefeitura alega falta de orçamento e travamento por parte de órgãos de fiscalização, como o Tribunal de Contas do Município, por exemplo. Já os vereadores alegam que, divergências político/partidárias com os subprefeitos, são os reais motivos para a não execução das obras. Com essas medidas recentes tomadas pelo prefeito, como o alinhamento e aumento de suas bases de apoio, essa situação tende a ser minimizada, facilitando assim a reeleição de todos.

O orçamento previsto pela Câmara para emendas parlamentares em 2020 é de R$ 220 milhões. A prefeitura alega que, após um profundo corte de gastos realizado no início da atual gestão, o caixa possui mais de R$ 12 bilhões e que pretende dar vazão a esses recursos antes das eleições com um aumento de 34,4% em seus investimentos para este ano, e que a dificuldade de aplicar esses recursos, tem sido o principal motivo para a falta de investimentos.

O Coordenador nacional do MBL (Movimento Brasil Livre) e vereador, Fernando Holiday (DEM), afirmou: “A manobra que ele está fazendo com esse decreto nesse momento não tem outra explicação a não ser oportunismo eleitoral, que é uma maneira de cooptar partidos”. Na opinião do vereador, as emendas deveriam ser impositivas a fim de evitar o toma lá dá cá, com o governo trocando votação de projetos com liberação de emendas. “Vereadores não tão próximos tem receio de emendas não serem executadas justamente por esse posicionamento. A tendência é que até mesmo a oposição dê uma amenizada por conta disso”, afirmou.

A atual gestão foi eleita com a promessa de praticar a “nova política”, e João Doria se dizia antes de tudo um gestor. O seu sucessor, Bruno Covas, demonstra claramente que, embora tenha sido prometida uma “nova política”, infelizmente, a “velha política” acabou permanecendo. Na qual vale tudo em nome de uma eleição. Só nos resta lamentar e não cair novamente neste “Conto do Vigário”.

Fonte: UOL