Rio Grande do Sul
Cristãos contra o Fascismo: começou a evangelização da esquerda

Grupo apresentado pelo PSOL acredita que o cristianismo foi “capturado” pelos cidadãos de bem.

13/02/2020 07h01 - Por Camila Greff

Os planos de reinterpretação da Bíblia não são prioridade apenas do Partido dos Trabalhadores. O Partido Socialismo e Liberdade também possui o seu próprio grupo, em âmbito nacional, para pregar que Jesus Cristo foi um revolucionário, nos moldes de Karl Marx e Paulo Freire, assassinado pelos “cidadãos de bem” do seu tempo. Chamados “Cristãos contra o Fascismo”, o grupo endossado pelo PSOL visa emplacar uma candidatura coletiva em Porto Alegre/RS.

A candidatura coletiva – não reconhecida pelo sistema eleitoral brasileiro, embora não considerada ilegal – foi anunciada na segunda-feira (10), em evento com o Pastor Evangélico Henrique Vieira, filiado ao PSOL e defensor de pautas progressistas. Como todo o grupo que traz “anti” ou “contra” em seu nome, o trio formado pela professora Bianca Ramires, pelo psicólogo e músico César Souza e pelo teólogo Tiago Santos também parece propenso a distorcer valores e se assemelhar ao “mal” que eles visam combater.

Na capital gaúcha, eles foram endossados pela pré-candidata à Prefeitura, a psolista Fernanda Melchionna. Mas os Cristãos contra o Fascismo não pretendem se concentrar apenas no Rio Grande do Sul. Eles se organizam nacionalmente em grupos autônomos liderados por pastores, pastoras, missionários e leigos, filiados a diversos partidos de esquerda. O grupo diz “combater ideologias autoritárias em espaços de religiosidade”, e alega que o cristianismo foi “capturado” por um discurso contraditório ao de Cristo.

Precisamos devolver o Evangelho à sua origem, que não era o império romano, mas sim a periferia da Galileia. Infelizmente, poucas coisas traíram tanto Jesus quanto o cristianismo pregado por alguns. Jesus tem uma história revolucionária que temos que devolver ao povo. O reino de Deus é um confronto ao reino de César. Quem ouvia Jesus à época era gente que não era ninguém. A causa de Cristo sempre foi a causa do oprimido. Todo cristão é discípulo de um prisioneiro político”, disse o pastor Vieira no evento em Porto Alegre.

Em seu discurso, Vieira constrói analogias com Karl Marx, Paulo Freire, e o criminoso favorito da esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva. Além de ignorar uma infinidade de parábolas e ensinamentos da Bíblia, o pastor também parece ser um dos que escolhe Barrabás. “Conheço muitos LGBTs que acabam tendo pensamentos de morte por não conseguir olhar para si com amor. O fascismo está lutando para controlar nossos desejos e nossos corpos. Não podemos tolerar isso”, acrescentou o pastor, esquecendo que é o socialismo que costuma tentar controlar a vontade do outro.

O ar nos templos religiosos ficou irrespirável e muitas pessoas abandonaram suas igrejas. Nós não podíamos mais aceitar sermões de domingo desconexos da realidade. Jesus foi morto pelos ditos ‘cidadãos de bem’ da época em que viveu. Nossa missão é lutar por quem Jesus defendeu” , disse Tiago Santos, demonstrando todo o preconceito velado da esquerda, o famoso “ódio do bem”. Ironicamente, ele falava sobre preconceito e discriminação nas Igrejas quando disse isso, e da intolerância progressista com os valores e ideais opostos aos seus.

Bianca Ramires salientou que grande parte da situação confusa na política brasileira é gerada por uma lógica de que religião e política não se discutem. É um tanto preocupante essa assertiva, pois a separação entre política e religião remete ao Estado laico assegurado pela Constituição Federal, algo que a esquerda sempre fez questão de defender, ao menos quando lhe convinha. “A esquerda abriu mão de dialogar com o público religioso. Venho da periferia e as igrejas que elegeram Bolsonaro estão lá. Nós precisamos nos dedicar a construir pontes em vez de muros”, disse.

As pessoas lidam com a fé carregadas de culpa. Igrejas com discursos fascistas e autoritários estimulam e se aproveitam disso produzindo medo. Eu acredito que a fé pode ser um instrumento de cura, diferentemente do que vimos acontecer em 2018, que foi muito pesado para mim e para muitos outros cristãos”, lamentou César Souza, também esquecendo preceitos bíblicos. O processo individual de culpa faz parte não apenas da religião, mas da vida adulta de quem lida com a responsabilidade por seus atos. O vitimismo progressista normalmente desconsidera esse processo.

Fontes: Gaúcha ZH e Sul21.