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COVID-19: Situação em Bagé pode ficar pior que em Porto Alegre

Número de pessoas expostas ao coronavírus é alta. Prefeito pretende decretar toque de recolher.

23/03/2020 09h54

A situação do Município de Bagé com relação à pandemia de coronavírus é preocupante. Os dois primeiros casos confirmados de contaminação pertenciam à direção da Santa Casa de Caridade, principal hospital da cidade. O número de casos confirmados dobrou em 24 horas – são 06 até o momento – e os casos suspeitos não param de subir. A cidade toda está em quarentena e já se fala em toque de recolher e restrições ao acesso.

O provedor da instituição, o médico ortopedista Jorge Moussa, que foi transferido para Porto Alegre depois do seu estado piorar e ele precisar de internação na UTI, foi o chamado paciente zero. O diretor-administrativo, Raul Vallandro, que se recupera em casa, em isolamento domiciliar, foi o segundo caso, e foi infectado pelo Dr. Moussa, caracterizando a chamada transmissão comunitária.

Além de atenderem no principal hospital de Bagé, ambos possuem clínicas particulares. Para completar, em decorrência de sua atividade como provedor, o Dr. Moussa manteve encontros com técnicos, políticos e outros profissionais de saúde. Na Santa Casa, coordenou reuniões com funcionários. Há relatos de ele tenha ido a uma festa de formatura e a uma festa em uma boate – aglomeração em espaço com pouquíssima ventilação.

Com cerca de 120 mil habitantes, há preocupação de que o número de casos possa ultrapassar a capital do Estado, Porto Alegre, que já registra 60 casos positivos para COVID-19. O prefeito de Bagé, Divaldo Lara, pretende decretar toque de recolher para evitar a propagação da doença. Outra medida que poderia ser adotada, tendo em vista o tamanho da exposição, seria o fechamento de acessos à cidade, mas isso esbarraria em normas recém editadas por Eduardo Leite e Jair Bolsonaro.

O Decreto nº 55.130, editado pelo governador do Rio Grande do Sul, proíbe que Municípios adotem medidas restritivas ao ingresso e à saída de pessoas e veículos de seus limites territoriais. Já a Medida Provisória editada pelo presidente da República exige recomendação “técnica e fundamentada” da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para adoção de qualquer restrição à locomoção interestadual e intermunicipal por rodovias, portos e aeroportos, que passam a ser competência do Governo federal.

Parece absurdo, mas a burocracia e a disputa pela competência para restringir os acessos à cidade podem levar a uma rápida propagação a outros Municípios.

Núcleo estadual do Movimento Brasil Livre.