Coronavírus
Coronavírus: E se as pessoas não mantiverem o isolamento?

Pesquisadores da UnB e do IESB fazem projeções assustadoras para o Distrito Federal

25/03/2020 14h55 - Por Marcos Johnny

Especialistas de todo o país estão de olhos atentos à Pandemia de Covid-19. Em dados mais preocupantes, começam a comparar os casos que estão se desenvolvendo no Brasil com os do território italiano.

Em estudos feitos por dois pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e do IESB, foram divulgados os cenários de antecipação do contágio por coronavírus no DF em caso de descumprimento das medidas de isolamento para conter a proliferação. Nesse estudo, foram analisados dados da pandemia na Itália, na Espanha e nos Estados Unidos. Com esses dados, fizeram os cálculos proporcionais a população brasiliense, no qual foi possível desenhar 3 cenários possíveis para a cidade.

As projeções de possíveis cenários para o Covid-19 seguem o seguinte esquema:

  • o melhor cenário indica 8.395 casos confirmados da doença até o dia 9 de abril. A expectativa para esse cenário é o de que, nessa data, 134 pessoas terão morrido. Sendo essa a melhor das previsões.
  • No cenário considerado médio, 28.868 moradores do Distrito Federal serão infectados, sendo que 462 podem não resistir a essa doença.
  • O pior cenário e mais catastrófico desenhado pelos pesquisadores é o em que no DF, dentro de 20 dias, haverá 162.546 casos confirmados de Covid-19. Esse número equivale a toda população da região administrativa de Águas Claras. Nessa previsão alarmante, no dia 20 de abril, 2.600 moradores do DF terão perdido a batalha contra o vírus.


A explicação sobre os cenários

O pesquisador da UnB Thiago Nascimento explicou, em entrevista ao jornal SBT Brasília, o que deve ser feito para evitar cenários devastadores como os acontecidos na China e na Itália e nos colocar nos melhores cenários, evitando a situação crítica da pior projeção apresentada nos estudos. Segundo ele:

“As pesquisas científicas têm apontado para dois caminhos, primeiro deles está relacionado ao distanciamento social, em que um grande quantitativo de pessoas que permanecem em suas residências diminui a exposição e a disseminação.

O segundo caminho leva em consideração as medidas pontuais, onde os casos são georreferenciados e a partir de ações específicas, conhecendo a disseminação local pontual, medidas podem ser melhor adotadas.”


Segundo as pesquisas, “entre essas medidas estão a ampliação do número de pessoas testadas por coronavírus. Como a maioria dos infectados não apresentam sintomas, descobrir quem tem o vírus reforça o isolamento daquela pessoa.

O professor Thiago acredita que os 10 milhões de testes anunciados pelo Ministério da Saúde são um caminho para ficarmos no patamar dos melhores cenário.

As recomendações para a população ficar em casa até parece repetitivo. Há pessoas falando que estão cansados de ouvir essa frase. Mas ficar em casa ainda é a melhor solução, pois no momento não há remédio nem vacina. O isolamento pode evitar cenários catastróficos.

Fonte: Jornal SBT Brasília