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Como seria uma guerra entre EUA e Irã?

Fizemos uma análise ampla na economia, poder militar e aliados.

09/01/2020 13h49

Meus senhores e minhas senhoras, nos últimos dias a tensão mundial tem se concentrado em um único lugar: na região dos países Iraque e Irã. Tudo devido aos conflitos e tensões gerados entre EUA e Irã, que vem se arrastando há anos, mas se potencializou nos últimos meses a beira de uma iminente guerra depois do ataque iraniano à bases americanas no Iraque.

Visto a apreensão que rondava os dois países, na tarde desta quarta-feira (8), o presidente americano Donald Trump fez um discurso apaziguador, reerguendo a confiança americana e impondo novas sanções econômicas ao país. No entanto, tanto sua declaração na Casa Branca como sua publicação no Twitter, minutos depois do ataque iraniano, tinham declarações que sustentavam a força do exército americano, afirmando que os EUA “[possuem], de longe, as forças armadas mais poderosas e bem equipadas do mundo!” e na Casa Branca, Trump reafirmou que “nossos mísseis são grandes, poderosos, precisos, letais e rápidos […] Nós não queremos usá-los”. Tais declarações funcionaram como um blefe em um jogo de cartas. Você sente a apreensão, questiona tal declaração, mas é dominado pelo temor de que aquilo seja verdade e dos riscos que poderão surgir.

Pensando nesta orquestra toda, alguns até questionaram a veracidade e afirmações de Trump sobre o poder militar americano. Ele estava falando a verdade? Obvio que sim, mas vamos analisar alguns pontos cruciais e entender a orquestra que formaria este embate.

Economia

O EUA possui uma população de 327 milhões de pessoas e um PIB de 20,544 trilhões de dólares (2018, World Bank), crescendo 2,8% em 2018 e 2,9% em 2017. O Irã possui uma população de 81,16 milhões de pessoas e um PIB de 454 bilhões de dólares (2018, World Bank), diminuindo 4,9% em 2018 com nova recessão em 2019 de 8,7%.

A economia americana é estabilizada e autossuficiente em muitos recursos: agricultura, extração mineral, combustíveis (petróleo e gás), comunicação e indústria. Além disso, os EUA são um dos poucos países no mundo que tem autonomia econômica para dialogar, vide o recente embate econômico dele com a China. No entanto, a economia iraniana está ainda se desenvolvendo, até os anos 1960, a economia do país era em sua maioria agrícola. Além disso, atualmente sua economia é fortemente baseada na extração e exportação de petróleo, possuindo uma das maiores reservas do mundo. No entanto, o Irã em sua maioria depende muito da importação, até mesmo de produtos básicos, como matéria-prima e tecnologia, e possui poucos recursos naturais, sejam minerais ou hídricos.

Fora isso, o Irá é muito aquém no cenário internacional. Devido aos programas nucleares dos últimos anos, o país sofreu inúmeras sanções internacionais e os impactos foram sentidos em seu PIB. Em 2011, o então presidente americano Barack Obama anunciou sanções controla o petróleo iraniano, resultando na queda de 33% do PIB até meados de 2015. As quedas de 2018 e 2019 no PIB iraniano foram devidas a novas sanções americanas, agora imposta por Donald Trump.

Poder Militar

Os EUA possuem 1,347 milhões de soldados na ativa e mais 542 mil na reserva e Guarda Nacional contra 550 mil na ativa e mais 350 mil na reserva iraniana. Além disso, o orçamento militar americano é de 716 bilhões de dólares por ano contra 6,3 bilhões de dólares do orçamento iraniano, ou seja, apenas o orçamento militar americano corresponde a 1,57 vezes o PIB iraniano.

No combate aéreo, os EUA contam com 13.398 aeronaves, bombardeiros e caças militares. O Irã possui um total de 509 aeronaves de combate. Os EUA possuem 5.760 helicópteros de ataque e o Irã possui 126 helicópteros.

No combate marítimo, a marinha americana possui 415 navios, entre porta-aviões, portas-helicóptero, navios de ataque e patrulha e 68 submarinos nucleares. Enquanto o Irã, a marinha dispõem de 398 navios, entre fragatas pequenas, corvetas, navios de patrulha e 34 submarinos convencionais.

No combate terrestre, os EUA possuem 48.422 carros de combate, entre eles: tanques de combate, reboques, propulsão automática, e projetores de foguetes; contra 8.577 carros iranianos.

Os EUA possuem cerca de 7 mil ogivas nucleares ativas, porém não é preciso o conhecimento da tecnologia nuclear do Irã. O que se sabe é que nos últimos anos, o país vem fazendo teste do alcance de mísseis e trabalhando no enriquecimento de uraniano.

No que tange a indústria bélica, os EUA possuem um amplo programa militar com contratos bilionários para a concessão de novas tecnologias, equipamento, veículos e treinamento dos soldados. No entanto, o Irã, em sua maioria, depende muito da importação de carros, aeronaves e fragatas marítima. Chegando a comprar, em algumas vezes, veículos ultrapassados e inferiores. Embora possua algumas indústrias bélicas, não consegue ter o mesmo ritmo e fomento americano.

Aliados e diplomacia

Os EUA, embora lide muito com a diplomacia mundial, pecaram algumas vezes. Mas o país possui inúmeros acordos econômicos e militares, seja no Oriente Médio com a Arábia Saudita e Israel, Japão e OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Esta, por exemplo, apoiou e em algumas vezes ajudou em algumas ofensivas americana, como no Iraque e no Afeganistão.

No lado iraniano, o país vem de inúmeras e recentes sanções internacionais, se tornando refém e sofrendo recessões econômicas. Dos poucos e prováveis aliados que possui, se destacam três: Rússia, China e grupos terroristas e milícias que atuam na região. Rússia e China se mostram preocupados e aquém com os movimentos iranianos. Fora isso, a queda surpresa do avião ucraniano na capital iraniana e a resposta do governo iraniano que não entregaria as caixas-pretas da aeronaves diminuíram a credibilidade do país no meio internacional.

Como e onde seria a guerra?

Por fim, o clímax desta análise, onde seria este embate?

Bom, para o EUA declararem guerra, os americanos precisariam enviar a declaração formal para o congresso americano, onde Donald Trump possui maioria no Senado, mas os democratas (oposição) possuem maioria na Câmara dos Deputados. Se aprovado, provavelmente esta guerra aconteceria entre as regiões dos países do Irã e do Iraque.

A única dificuldade americana seria o transporte e locomoção de suas forças até a região, o que poderia demandar muito tempo e recursos. Dando, pode-se dizer com ironia, alguma vantagem para o Irã.

Baseando-se nas estratégias adotadas nas guerras do Iraque e Afeganistão, os EUA podem bombardear, sufocar e cercar pontos estratégicos iranianos, como indústrias, áreas de produção, distribuição, bases militares, estradas e rotas. Fazendo isso, os EUA impedem rotas de transporte e abastecimento das tropas iranianas, provocando um colapso e iminente enfraquecimento do exercito inimigo.

Pois então prezado(a) leitor(a), após esta análise podemos equiparar estes países a um tradicional jogo de futebol entre o time do Liverpool contra o Íbis. Sabemos quem vencerá, mas não sabemos como será esse jogo ou o seu placar.

Fontes: World Bank, FMI, World Atlas, Global FirePower

Estudante de Engenharia Civil, um nerd apaixonado por cozinha, humor e muito conhecimento. Membro do MBL Brasília e um preguiçoso redator do MBL NEWS