Pará
Belém no caos, descaso ou fenômeno natural?

Avenidas como a Dr. Freitas e a João Paulo II foram completamente invadidas pela água

10/03/2020 21h14

Na manhã desta segunda-feira, 9 de março, a capital paraense amanheceu inundada após sofrer com fortes chuvas no fim de semana. Avenidas como Dr. Freitas e a João Paulo II são exemplos de vias que foram invadidas pela água. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), um dos motivos dos alagamentos pode ter sido a maré alta que ocorreu no domingo.

O fenômeno da maré alta, começou no último sábado (7) e deve perdurar até a sexta-feira (13) desta semana, a prefeitura de Belém inclusive divulgou um cronograma com as datas e horários de máximo nível para que a população pudesse ter cuidado redobrado, a maré pode provocar um aumento de até 3,7 m no nível dos rios, o que está previsto de ocorrer na madrugada de quinta-feira (12).

Outro ponto, que também contribuiu para aumentar o efeito das inundações, foram as fortes chuvas, que castigam a capital paraense, segundo o Sistema de Proteção da Amazônia, só neste início do mês de março, o órgão registrou o triplo de chuva em relação ao mesmo período do ano passado de 2018.

Desde sábado, 7 de março, dezenas de ruas e avenidas da capital ficaram inundadas. Locais como a travessa Almirante Wandenkolk, a rua Caripunas, a avenida Gaspar Vianna e o Bairro Batista Campos ficaram completamente intrafegáveis, tendo canais rompidos, água invadindo casas e trânsito interrompido devido os alagamentos.

O caso foi ainda mais grave em locais como a avenida João Paulo II que terá que passar por um serviço de drenagem para se recuperar dos prejuízos causados pelos alagamentos, segundo o que foi divulgado pelo prefeito de Belém Zenaldo Coutinho (PSDB) as obras devem ser finalizadas em seis meses.

Os próprios moradores utilizaram as redes sociais para registrar os diversos pontos de inundação na capital do estado do Pará:

Zenaldo Coutinho (PSDB), prefeito da capital, decidiu declarar situação de calamidade pública e de emergência devido os prejuízos causados pelas chuvas e deve se reunir com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, para estabelecer um acordo com o governo federal com o objetivo de instituir ações para minimizar os prejuízos deixados pelos alagamentos.

Porque Belém quase sempre alaga?

O problema mais visível é que devido ao crescimento, muitas vezes desenfreado, Belém não tem um sistema de drenagem adequado. O processo de uso e ocupação do solo, foi feito de maneira desorganizado, temos muitas áreas com baixíssima impermeabilização (áreas pavimentadas) e pouquíssimas áreas verdes.

A capital é quase toda em concreto e com seu sistema de drenagem inadequado a água não consegue escoar, então contamos praticamente com o fenômeno da evapotranspiração, ou seja, esperamos a água evaporar.

Além desse fator estrutural, Belém possui um fator histórico. A capital era cortada por rios e igarapés e ao logo do seu desenvolvimento esses corpos d’água foram sendo canalizados ou aterrados.

Ademais, a cidade está abaixo do nível do mar, em alguns pontos esse desnível pode chegar até a 4m. Outro quesito que também deve ser considerado, quando se fala em alagamentos na capital, é que a cidade é considerada a capital brasileira que mais chove.

Atrelado a todos esses pontos, temos a pouca educação do povo belenense que joga lixo inclusive nos canais e boieiros da cidade, agravando ainda mais a situação. Recentemente (8), a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) divulgou imagens em que mostrava toneladas de lixo sendo retirado dos canais.

Desse modo, não há uma solução mágica para o problema, não serão com medidas amenizadoras que os transtornos dos alagamentos irão se resolver. Estima-se que o investimento para solucionar essa questão sejam em bilhões e os resultados só deverão vir daqui há 10, 20 e 30 anos.

Mas de quem é a culpa?

A culpa é de todos os políticos que não começaram essas obras de infraestrutura e a postergaram, seja por incompetência, seja por falta de vontade, já que obras como drenagem ou saneamento, não são construções visíveis, como a de pavimentação, e por isso não estão no rol das obras ditas eleitoreiras.

A culpa é também dos moradores da cidade que jogam lixo em qualquer lugar, inclusive em locais que prejudicam o escoamento da água e causam poluição dos corpos d’água, além de terem culpa por não fiscalizar o trabalho feito por aqueles que dizem nos representar e elegem a cada ano verdadeiros parasitas da máquina pública.

Então quais as possíveis soluções?

Primeiramente, redimensionar o sistema de drenagem urbana, levando em conta todos os fatores que podem influenciar, simultaneamente, através de programas e palestras buscar conscientizar a população da importância da destinação correta do lixo e ainda planejar e prever como se dará a ampliação do sistema de drenagem conforme o crescimento da cidade, entre outras maneiras.