São Paulo
Abandono e descaso, essa é a realidade da UBS Sigmund Freud, na zona sul da capital

Há um bom tempo, a unidade de saúde necessita de reformas, mas nada ainda foi feito por parte da prefeitura

08/01/2020 16h52 - Por Rodrigo Vieira

Foto: Folha

Quando pensamos em hospitais ou em algum órgão voltado à área da saúde, visualizamos prédios bem organizados, limpos, equipamentos novos ou algo do tipo. Porém, quem entra na UBS Sigmund Freud, na avenida Indianópolis, 650, em Moema na zona sul de São Paulo se depara com um cenário totalmente devastador.

A UBS sofre com inúmeros problemas. Dentre eles, podemos nos deparar com mofos nas paredes, pintura desgastadas, reboco das paredes quebrados, pias sem encanamento, tomadas penduradas nos próprios fios elétricos, balanças enferrujadas, goteiras, pisos deteriorados e até mesmo a autoclave, equipamento essencial para a esterilização de utensílios médicos está quebrada. Também foram registradas infiltrações no teto, conduítes enferrujados, salas sem porta e gaveteiros quebrados.

“A gente percebe o abandono”, afirmou um funcionário da UBS, que não quis se identificar, em reportagem à da Folha. “A enfermeira trabalha com água pingando atrás da mesa dela, isso não é condição de trabalho”, declarou o funcionário sobre a sala de enfermagem.

Um funcionário relatou que a autoclave (equipamento essencial para evitar contaminações) está há muito tempo quebrada, já reportaram o problema, mas ainda nada foi feito, eles precisam enviar os equipamentos para outra unidade de saúde.

Além desses inúmeros problemas, os pacientes ainda enfrentam a demora no atendimento. Maria de Jesus, 44 anos, conta que já ficou até cinco horas esperando uma simples consulta. Paulo Henrique Silva, é motorista de aplicativo e disse: “Além de não oferecerem um bom serviço de saúde, ainda desprezam o tempo que passamos aqui esperando e poderíamos estar trabalhando ou cuidando da família.”

Segundo funcionários da UBS, alguns médicos se aposentaram e não houve a reposição do número de médicos. De acordo com um funcionário, esse descaso é uma forma de forçar a entrega da unidade de saúde a uma OS (Organização Social). “Eles deixam o pior possível para depois justificar que entre uma OS. A OS entra, dá uma pintura e o paciente fica com a impressão de que terceirizar é a melhor solução”, afirmou o funcionário.

“Quando você entrega a saúde primária para a OS você tem um grande problema porque o governo municipal não tem braço para fiscalizar.
Eu sou do SUS, eu posso apontar o que está errado. Quem trabalha para uma OS tem patrão, tem medo de perder o emprego e de denunciar, não tem proteção fica refém.”

A Secretaria Municipal de Saúde, sob gestão Bruno Covas (PSDB), se pronunciou dizendo que: “Nos últimos dois anos, 85 equipamentos de saúde foram inaugurados, reclassificados ou receberam novas instalações.”

“No mesmo período, a cidade teve 99 unidades de saúde reformadas, incluindo 65 Unidades Básicas de Saúde (UBS).”

“A UBS Sigmund Freud é uma das unidades com reforma prevista para o primeiro semestre de 2020, com recursos do programa Avança Saúde de São Paulo em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento.”

De acordo com a matéria, a operação desta unidade deverá ser executada pela OS Associação Para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). Aquela mesma que administrava a Unidade de Referência a Saúde do Idoso (URSI), no Butantã. Unidade tal que, ainda estava fechada, não atendia ninguém e mesmo assim recebia repasses bem gordos por parte da prefeitura.

Revisores: Cynthia Capucho.

Fonte: Agora/Folha