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A Rodoviária do Plano Piloto caminha rumo à privatização

Após vários casos de abandono e descaso, GDF convoca interessados em administrar a Rodoviária.

08/10/2019 10h28 - Por Marcos Johnny

O problema não é novo e as marcas da má gestão no terminal rodoviário do Plano Piloto são visíveis a qualquer um que transite pela região.

Após poucos passos já se notam problemas estruturais no chão, nas paredes e no teto. Por vários anos, vimos banheiros danificados, escadas rolantes e elevadores quebrados, além de aberturas no piso e fios expostos. Essa é a realidade de quem convive no local todos os dias. No entanto, com as incontáveis queixas e obras inacabadas, o governo parece querer uma solução definitiva rumo a privatização  

Em edital de chamamento publicado em 24 de setembro, a Secretaria de Mobilidade (Semob) convoca interessados na apresentação de projetos para a gestão da Rodoviária. No edital publicado, dispõe-se sobre o projeto de gestão, modernização, conservação e exploração do terminal e áreas comerciais. O Prazo para manifestação é de 30 dias e é permitida a associação de pessoas jurídicas para a apresentação do projeto, que deverá ser entregue em até 120 dias corridos, após a publicação do termo de autorização.


Os vários problemas que levaram à decisão do governo  

Quase 58 anos de inauguração e muita dor de cabeça. A Rodoviária do Plano Piloto é um mar de problemas no coração da capital do Brasil. Buracos no piso e fiação elétrica exposta, além de um canteiro de obras que parece inacabável. Esse foi o retrato do terminal nos últimos anos, que apresenta ainda os problemas de:

  • Mau funcionamento das escadas rolantes, que se repete por anos e anos. Em 2014, elas ficaram paradas por 95 dias, por causa de degraus amassados e entradas de corrimão quebradas, segundo a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap). No ano passado, o número saltou para 110, ou seja, equivalente a quase quatro meses.
  • Os banheiros da rodoviária ao longo dos tempos também apresentam aspecto de abandono. Em diversas épocas se notaram portas de cabines com fechaduras danificadas, problemas estruturais no piso e a falta de privacidade nas cabines, não sendo possível fechar algumas delas.
  • À noite, o local vira ponto de moradores de rua, que buscam abrigo para varar a madrugada. As pessoas dormem tanto na plataforma quanto nas imediações.
  • As reformas na Rodoviária do Plano Piloto parecem infindáveis. As obras começaram em 2014 e, até hoje, não solucionaram os problemas estruturais do terminal. A licitação ocorreu no último ano da gestão do ex-governador Agnelo Queiroz (PT) e previu investimentos da ordem de R$ 36,5 milhões. A quatro meses do encerramento do seu mandato, Rodrigo Rollemberg (PSB) utilizou somente R$ 11,8 milhões do recurso – 32% do valor orçado.
FOTO/IMAGEM: DIVULGAÇÃO METRÓPOLES.


A privatização e os benefícios para a rodoviária

Com a parceria convocada pelo governo se espera uma administração mais eficaz e mais eficiente para a rodoviária, transferindo para a iniciativa privada as demandas do local. A publicação estabelece que, além da operação do terminal, também deverá ser considerada a “utilização de áreas correlacionadas, incluindo sua recuperação, modernização, operação, manutenção, conservação e exploração”.

Há pouco mais de três meses, o governador Ibaneis Rocha já havia anunciado a medida. “Nós pensamos em projeto de PPP para essa área da Rodoviária, para transformá-la em um grande shopping dentro da cidade, onde as pessoas tenham realmente acessibilidade e condições de manutenção. É uma coisa que nós temos que pensar: as rodoviárias que funcionam bem no mundo todo são geridas pela iniciativa privada”, declarou.

Assim, se espera que com a administração da iniciativa privada, se obtenha a correção dos problemas estruturais com uma velocidade maior e que instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias não sejam mais dores de cabeça. Também se espera o aprimoramento da sinalização de acessibilidade, recuperação de calçadas e drenagem interna, tudo isso associado à promoção da exploração dos recursos, para estimular o comércio local e a manutenção do livre trânsito de pessoas e serviços de qualidade a população.

O futuro da rodoviária do Plano Piloto virá das mãos da iniciativa privada.


Fonte: Agência Brasília e Metrópoles.