Rio Grande do Sul
A falta de luz em Porto Alegre e a impossibilidade da CEEE lidar com o problema

A impossibilidade da CEEE lidar com os problemas de energia em POA revelam mais do que a necessidade de privatização.

16/01/2020 23h35 - Por Renan Della Costa

No final da tarde desta quarta-feira (15), Porto Alegre/RS foi atingida por um grande temporal, com a manifestação do fenômeno “downburst”, caracterizado por forte corrente de ar descendente circular por toda a base da nuvem. Na região da zona sul foram registrados ventos de até 100 km/h, derrubando árvores que caíram sobre as redes da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), ocasionando queda de luz e deixando várias famílias no escuro.

A intensidade do problema variou: ao passo que em certas localidades a energia foi restabelecida em vinte minutos, outras regiões chegaram a ficar vinte e quatro horas sem luz. Conforme noticiado no jornal Zero Hora, o diretor da CEEE atribuiu a gravidade do problema a grande arborização da capital gaúcha. Não foi citado o déficit financeiro que torna a estatal uma das primeiras na fila de privatizações do Estado, além de torná-la incapaz de suprir a demanda e fornecer um serviço de qualidade que chegue e todos os porto-alegrenses.

Ao leitor que estiver lendo essa matéria, nesse exato momento, provavelmente a sua energia foi restabelecida, e tudo já voltou ao normal. Mas fica a pergunta: quando é que a companhia de energia vai instalar a fiação no subterrâneo? Embora necessite de um estudo aprofundado e um aporte de recursos considerável – um serviço que uma estatal deficitária não tem condições oferecer, tornando a privatização ainda mais urgente -, requer menor gasto em manutenção e fica muito menos sujeito à intempéries naturais, como a ocorrida na última quarta-feira.

Engana-se quem pensa que se trata de um fato isolado pois, nos últimos vinte anos, ventos fortes derivados desses fenômenos têm atingido o Rio Grande do Sul com uma frequência maior do que se pensa. Alguns exemplos: o tornado que atingiu Viamão no ano 2000 – cujas cenas de destruição parecem retiradas de um filme americano -, o furacão Catarina que atingiu a cidade de Torres no ano de  2004 – e cujos danos foram estimados em 470 milhões de dólares -, além de outros downbursts em janeiro de 2016 e no carnaval de 2018.

Portanto, se instalação de fios subterrâneos demanda recursos, os consertos em decorrência do fenômenos climáticos não ficam atrás. A CEEE está para ser privatizada. Porque não colocar a fiação subterrânea como requisito?