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A falta de coleta e tratamento de esgoto atinge milhões de paulistanos

Pesquisa feita pelo Instituto Trata Brasil indica que cerca de 2 milhões de pessoas não tem acesso a esse serviço básico na capital

04/11/2019 18h26 - Por Rodrigo Vieira

(Foto: http://tratabrasil.org.br)

Na última terça-feira (29) foi lançado o “Painel Saneamento Brasil”, plataforma onde é possível pesquisar os números do saneamento básico por cidade ou região do país. Lá você encontra dados referentes a fornecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.

O intuito do painel é facilitar o acesso às informações, mas também, conscientizar o poder público sobre os dados referentes a saneamento básico, que por sinal são alarmantes, e a importância de investir nessa área. O painel é uma iniciativa do Instituto Trata Brasil.

Um levantamento feito pelo mesmo órgão, mostra que 2 milhões de pessoas não tem rede de coleta de esgoto em casa. Segundo o Instituto, das 21 milhões de pessoas que moram na região metropolitana da capital, 231 mil não tem acesso à água encanada. Os dados são de 2017 e também apontam que no mesmo ano houve 6 mil internações por causa de doenças sanitárias e 139 mortes registradas.

Segundo o Instituto, investir em coleta e tratamento de esgoto significa economizar em saúde. Estima-se que o Estado de São Paulo economizaria R$ 84 bilhões em 20 anos se o acesso ao serviço fosse universal.

Na comunidade Vietnã, na zona sul da capital, moram cerca de 1.300 famílias. O lugar é composto por inúmeras casas irregulares, diversos becos e vielas estreitas, e cada casa descarta seus dejetos no cimento ou direto no córrego Água Espraiada. Essas famílias estão, literalmente, vivendo no esgoto.

“As pessoas estão morando aqui porque não tem pra onde ir. Acabam voltando para o mesmo local. As pessoas não estão morando aqui porque querem, mas sim por necessidade” – afirmou a líder comunitária, Célia Batista.

Segundo o morador, Gregori Souza, por conta do esgoto a céu aberto na comunidade, seu filho de 1 ano contraiu uma doença de pele.

O Estado não tem orçamento para realizar as desapropriações nem para construir novas unidades habitacionais. O jeito é buscar uma solução alternativa.

“Nós temos um enorme desafio, despoluir o rio Pinheiros até 2022. Nós vamos implantar redes coletoras. Vamos trazer o benefício. Onde não for possível trazer o coletor tronco por causa da ocupação irregular das habitações, nós vamos criar pequenas usinas de tratamento de esgoto e fazer pequenos tratamentos” – declarou o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Yashimoto.

Para o Instituto Trata Brasil, é fundamental investir em saneamento para tirar a região metropolitana do atraso.

“Aquilo que a gente sente falta é de saneamento urbano. Não é uma poluição que vem da indústria, é uma poluição que vem da falta de cobertura da coleta de esgoto e da falta de tratamento nas residências. A única maneira de a gente corrigir essas deficiências e melhorar a qualidade de vida é coletando e tratando o esgoto”

  • ressaltou Fernando de Freitas, pesquisador do Instituto.

Em nota, a Sabesp informou que vai investir quase R$ 19 bilhões até o fim de 2022 para que todo o esgoto, nas cidades onde a empresa atua, seja coletado e tratado. A companhia também confirmou que nessas cidades toda população têm acesso a água.

Lembrando que no Brasil, cerca de 55% do esgoto que é produzido, ainda é descartado na natureza. Apenas 45% é coletado e tratado (segundo dados de 2016 do Instituto Trata Brasil).

Alguns levantamentos apontam que o Brasil tem indicadores piores que a Bolívia, Peru e outros 103 países, no quesito saneamento básico.

Em contrapartida, o Chile tem se destacado com uma cobertura de cerca de 96% em relação a água e saneamento. Esse nível de cobertura foi possível por conta de que a maioria das empresas que oferecem esse serviço no país são do setor privado.

Informações da matéria, dados e entrevistas. Portal do G1.

Revisores: Felipe Donadi, Gabriel Castro e Cynthia Capucho.