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15 de março, o dia em que o bom senso passou longe

Em meio a uma pandemia, grupos bolsonaristas realizam manifestações na avenida Paulista

16/03/2020 07h00 - Por Antonio Glenio

Neste domingo (15), manifestantes bolsonaristas realizaram atos na Avenida Paulista. Como o Programa Ruas Abertas foi suspenso pela prefeitura, o tráfego deveria ocorrer normalmente no local. Porém, com a manifestação houve bloqueio nos dois sentidos.

Enquanto o mundo está em pânico e todos tentam impedir aglomerações de pessoas para evitar a proliferação do Covid-19, que tem uma capacidade de expansão muito elevada, uma manifestação como essa, neste momento, trará consequências a todos.

É importante ressaltar que, São Paulo é o estado com maior números de casos. Até o dia (14), registrou-se 65 casos no estado. E o próprio Governo do Estado já cancelou todo e qualquer evento que reunisse mais de 500 pessoas, e paralisará as aulas de escolas públicas e particulares.

Com todo esse caos, colocar um número elevado de pessoas em vias públicas é extremamente irresponsável, principalmente levando em conta que o perfil das pessoas que participam são, em sua grande maioria, pessoas com idade mais avançada, fazendo parte do “grupo de risco” da doença.

No entanto, no Brasil parece que o bom senso foi deixado de lado sempre que um grupo se sente contrariado. Os bolsonaristas não querem enxergar o problema, e para piorar, o presidente Jair Bolsonaro, solicitou em rede nacional para que as manifestações não ocorressem, entretanto, no domingo (15), o presidente postou vários vídeos e fotos endossando a atitude estúpida e irresponsável da população, não esboçando qualquer preocupação com o que pode acontecer posteriormente a elas.

Para ilustrar a todos, tomarei como exemplo a China e Itália. A China, local onde o vírus surgiu, diante do surto, embora tenha demorado para informar a magnitude do problema, decidiu rapidamente paralisar o país, fechando fábricas, comércios e restringiu o tráfego de pessoas na rua, orientando-as a permanecerem em suas casas, além de apressar a construção de hospitais para abrigar pacientes. Na Itália, não houve qualquer restrição de imediato, tentaram lidar normalmente com o caso sem medidas que evitassem a aglomeração de pessoas. O resultado foi inevitável. Hoje, a China apresenta uma queda no número de casos, enquanto na Itália, os casos não param de aumentar. Apenas neste domingo (15), a Itália registrou 368 novas mortes, totalizando 1.809 no país.

O principal problema que se deve atentar é o aumento de pessoas infectadas. O primeiro caso registrado no Brasil, foi em (24) de fevereiro, e até o momento, o número já chegou a 200. Este número tende a aumentar nas próximas semanas.

O coronavírus não choca as pessoas pelo número de mortes que ele causa, mas sim, pelo números de infectados que irão buscar auxílio em hospitais. Neste ponto, reside o problema que muitos países estão lidando e que o Brasil também terá que lidar.

Com um alto número de infectados, os sistemas de saúde ficarão sobrecarregados, como já acontece em países na Europa, e devido a isso, entrarão em colapso.

Agora pense, se isso acontece em sistemas de saúde europeus que são considerados muito avançados, imaginem como será no Sistema Único de Saúde (SUS). A situação será ainda pior, e provavelmente, entrará em colapso em muito menos tempo.

Por isso, neste momento, é necessário ter os pés no chão e pensar, ter responsabilidade, evitar aglomerações, conscientizar pessoas, e o Governo deveria aumentar a capacidade de hospitais para abrigar pacientes. Porém, essa mentalidade de gado entre os ferrenhos apoiadores bolsonaristas mostra-se no sentido oposto.

Os bolsonaristas estarão fortalecendo a oposição que os irão devorar. Como no caso do PT e PSOL, o qual até o momento, não propôs nada relevante e não agregou nada politicamente em relação a situação do coronavírus, a não ser disseminar notícias falsas ou fazer ataques sem sentido.

O Partido do trabalhadores, que já espalhou fake news sobre Cuba ter a cura para o Covid-19, que comemorou a possibilidade de Bolsonaro ter contraído a doença, e que depois se mostrou falso, está ansioso para usar essa pandemia contra Bolsonaro e contra a direita. Ademais, para um partido que já usou a morte de pessoas no passado como palanque político, fazer isso novamente não será nenhum problema. O mais grave é que a crítica que será feita por eles, será correta, logo, estarão trazendo dos mortos pessoas que não tinham nada a comentar ou auxiliar nesse contexto, dando-lhes um discurso coerente para atacar o Governo.

Então tenham certeza que, essa irresponsabilidade vinda do Governo e de seus apoiadores, custará um risco a saúde pública de todos os brasileiros, e dará munição gratuita a oportunistas e demagogos do lado da esquerda.