Kim Kataguiri
Planos vagos nas eleições municipais
Cumpre lembrar que os candidatos que forem eleitos esse ano irão governar os municípios

Estamos às voltas com as eleições municipais. É o momento, portanto, de compararmos candidatos e debatermos os programas políticos. Cumpre lembrar que os candidatos que forem eleitos irão governar os municípios, que são as unidades federativas que mais importam na medição da qualidade de vida das pessoas.

Kim Kataguiri
Kim Kataguiri (Kleyton Amorim/UOL)

Afinal, alguém mora na União? Ou em algum Estado? Não, moramos nos municípios e neles frequentamos praças, dirigimos nas ruas, compramos e alugamos imóveis, enfim, desenvolvemos toda a nossa vida. As eleições municipais, em importância, não ficam atrás das eleições federais ou estaduais.

O federalismo brasileiro, porém, está em crise. A concentração de competências no âmbito federal, o sistema tributário que privilegia a União e a rígida estrutura constitucional (que faz com que todos os municípios tenham que seguir praticamente a mesma organização jurídico-administrativa) deixam pouco espaço aos prefeitos e vereadores para inovar. Em geral, os novos prefeitos, por melhores intenções que tenham, terão pouco espaço para mudar as feições da Administração.

Para piorar, os municípios estão quebrados. O maior culpado disto é o sistema previdenciário do funcionalismo público, que, de maneira insana, faz com que os aposentados do setor público continuem recebendo do ente à qual estavam vinculados. É vergonhoso que, em pleno Século XXI, o Brasil não tenha tido a coragem de fazer a unificação do regime previdenciário.

Neste cenário pouco animador, temos a missão de escolher os novos prefeitos. Eles devem ter excelentes habilidades políticas e administrativas. Os candidatos têm tais habilidades? A julgar pelos programas de governo apresentados, certamente não.

Em São Paulo, lendo os programas dos candidatos, percebemos que eles foram feitos às pressas e de modo formal, apenas para serem registrados junto à Justiça Eleitoral, sem maiores preocupações. Os dois candidatos que hoje lideram as pesquisas apresentam planos eleitorais extremamente vagos, que funcionam mais como carta de intenções.

Dos planos constam itens como “fazer obras urbanas”, “ampliar a rede escolar”, “zerar a fila de creches”, etc. Não se fala quais obras, como a rede escolar será aumentada, se as creches devem ser públicas ou privadas e outros “detalhes”.

Pior: os planos não dizem o caminho para atingir tais fins. Como, em um Município de estrutura administrativa extremamente burocratizada, com um orçamento engessado e em plena crise fiscal, serão feitas mais obras? Como serão zeradas as filas de creche sem uma parceria privada?

Enfim, os planos dos dois candidatos que lideram as pesquisas têm na vagueza a sua maior semelhança. Frases de efeito tolas, de causar tédio em qualquer pessoa, figuram no lugar do que deveria ser uma discussão política séria, com escolha de prioridades e indicação de métodos para atingir fins.

Como dizem, nada está tão ruim que não possa piorar. E, julgando pelos planos de governo dos candidatos à prefeitura de São Paulo, as coisas vão mesmo de mal a pior. O terceiro colocado nas pesquisas, um esquerdista radical cuja vida se resume a invadir propriedades privadas, propôs um plano de governo em que, escondido entre banalidades e chavões, figuram propostas extremamente radicais.

Dentre outros absurdos, consta a criação de um aplicativo de entregas estatal (sim, o IFood vira Foodbrás ou SPFood) e a revogação da última reforma da previdência municipal, que foi aprovada com muito esforço (e que rendeu até um atentado a tiros contra o vereador Fernando Holiday).

Sugiro aos eleitores que tomem ciência da vagueza dos programas de governo dos dois candidatos que lideram a pesquisa e do radicalismo do programa de governo do terceiro colocado. Cobrem deles explicações. Sejam incisivos. Constranjam.

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