Kaique Dionísio
Um carioca genuíno em meio a tantos paulistas. Escrevo textos mais longos para o @midiainsurgere.
Wajngarten delata Pazuello no fracasso no combate à pandemia
Em conversa com a revista Veja, ex-secretário de Comunicações conta como Pazuello boicotou as vacinas

Numa tática miliciana de delatar o subordinado para salvar o chefe - e amigo, Wajngarten, ex-secretário de comunicação do governo, fez uma delação à revista Veja. Claro, eximiu o governo federal de toda a culpa. É tudo culpa de Pazuzu!

Quando perguntado sobre o que o secretário de Comunicação tinha a ver com compra de vacinas, ele diz:

Fui procurado por um dono de veículo de comunicação que me disse que a Pfizer havia enviado uma carta ao governo oferecendo as vacinas contra a Covid. Na carta, a empresa falava do avanço de suas pesquisas, dos contratos que já havia assinado com o governo americano e com a Europa para a venda de vacinas e oferecia ao Brasil prioridade no fornecimento, a partir do instante em que o imunizante fosse aprovado pelos órgãos sanitários. […] O Ministério da Saúde nem sequer havia respondido à carta. Sou filho de médico e sei o que representa a tradição da Pfizer, sei quanto a vacinação é importante e também como isso poderia implodir ou incensar a imagem do presidente da República.

Perguntado sobre por que as negociações não avançaram, Wajngarten respondeu que:

"As negociações avançaram muito. Infelizmente, as coisas travavam no Ministério da Saúde."

E claro, diz que "nunca troquei mais que um boa tarde com o ministro Pazuello."

Nunca troquei mais do que um boa-tarde com o ministro. Seria leviano da minha parte falar dele.

Claro, Wajngarten! É claro! As negociações no Ministério da Saúde não andam e quem travou as negociações fui eu!

Perguntado sobre o presidente nas negociações, disse:

O presidente sempre disse que compraria todas as vacinas, desde que aprovadas pela Anvisa. Aliás, quando liguei para o CEO da Pfizer, eu estava no gabinete do presidente. Estávamos nós dois e o ministro Paulo Guedes, que conversou com o dirigente. Foi o primeiro contato entre a Pfizer e o alto escalão do governo. Guedes ouviu os argumentos da empresa e, depois, disse que “esse era o caminho”. Se o contrato com a Pfizer tivesse sido assinado em setembro, outubro, as primeiras doses da vacina teriam chegado no fim do ano passado.

O repórter, em negrito, insiste:

Volto a insistir: se o presidente autorizou, seus principais auxiliares concordaram e o acordo não aconteceu, o que explica isso?

Wajngarten responde:

Incompetência e ineficiência. Quando você tem um laboratório americano com cinco escritórios de advocacia apoiando uma negociação que envolve cifras milionárias e do outro lado um time pequeno, tímido, sem experiência, é isso que acontece.

O senhor está se referindo ao ex-mi­nistro Eduardo Pazuello?

Estou me referindo à equipe que gerenciava o Ministério da Saúde nesse período.

Mais uma vez: Fui eu, Kaique, que atrapalhei as investigações.

O repórter perguntou sobre a veracidade dos rumores de prisão de Pazuello.

Ouvi que havia essa possibilidade. Não sei se era fato ou especulação. Isso foi em fevereiro, dias antes da demissão do ministro da Saúde.

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