Israel Russo
Jornalista e professor de filosofia.
Racha no centrão impõe derrota a Bolsonaro
O presidente tentou comprar o bloco dos centristas, mas esqueceu de ler as letras miúdas do contrato

O presidente que tentou comprar o Centrão com cargos e ministérios para barrar um possível impeachment e angariar apoio no parlamento agora vê o consórcio de partidos se dissolvendo justamente pela aproximação com o Planalto.

Jair Bolsonaro Arthur Lira
Jair Bolsonaro Arthur Lira (Reprodução/Instagram)

Apesar dos líderes partidários afirmarem que a saída do MDB e DEM do bloco liderado por Arthur Lira ser algo comum e pacífico, nos bastidores a conversa é outra. A votação para a sucessão de Rodrigo Maia na presidência da Câmara será em fevereiro de 2021, mas uma candidatura é construída com tempo de trabalho e negociação.

Os pretendentes agora se encontram em um ditame de provar sua independência em relação ao Governo Federal. Foi justamente o que motivou a debandada dos partido de Maia e Baleia Rossi do bloco que hoje é reconhecido como "o centrão bolsonarista".

O estopim para o racha foi a votação do Fundeb, na qual o governo se privou de participar do debate durante um ano e oito meses e quis antecipar a votação de última hora. Lira, que de maneira informal faz a articulação do executivo na Casa, prometeu o adiamento.

Por esse motivo, MDB e DEM se viram dentro de um bloco extremamente próximo ao governo e sem direitos regimentais que garantem sua autonomia. Junto o PSDB, as legendas estudam criar um bloco no centrão que seja independente da extrema esquerda, liderada pelo PT, e do bolsonarismo.

Baleia Rossi, presidente do MDB, vem demonstrando sua capacidade de articulação dentro da Casa ao passo que se mantém afastado desses extremos, o que agrada Maia. O atual presidente da Câmara começa a se movimentar para apoiar Rossi para sucedê-lo no cargo.

Para o governo, essa nova conjuntura política significa uma derrota enorme, já que só com a saída dos dois partidos, o bloco perdeu 63 representantes no parlamento, podendo haver ainda a debandada de outros partidos, como PSL e PTB.

Bolsonaro vê sua base se desmanchando novamente e o fantasma do impeachment começa assombrar suas noite. O presidente precisa se preocupar ainda com o PSD de Gilberto Kassab, que embora tenha ganhado o Ministério das Comunicações, pode se alinhar à candidatura de Baleia Rossi devido ao longo histórico entre os partidos.

No final, Jair Bolsonaro cometeu o maior estelionato eleitoral da história do Brasil República ao se entregar para as raposas da Política e agora pode acabar sendo devorado por elas.

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