Israel Russo
Jornalista e professor de filosofia.
'Mãe Zambelli' é a maior aliada da Polícia Federal
Ao tentar exalar importância, a deputada ignóbil colaborou com as investigações contra Bolsonaro

A moça que controlava o uso dos banheiros em manifestações conseguiu "subir na vida"; hoje é uma deputada federal com influência direta sobre o executivo, podendo até indicar nomes à Suprema Corte para o presidente Jair Bolsonaro.

Deputada Carla Zambelli
Deputada Carla Zambelli (Daniel Marenco/Agência O Globo)

Sua mediocridade não desapareceu com cargos e um salário robusto. A prezada tenta passar a mensagem ao povo de que é relevante, possui vínculos fortes com a Polícia Federal (PF) e exerce grande influência sobre o Governo Federal.

Entretanto, essas demonstrações de "grandeza" partiram de uma pessoa ignóbil, que não possui o menor saber jurídico para sentar na cadeira do gabinete 482. Em rede nacional, a parlamentar confirmou sua tentativa de comprar o ministro da Justiça e, mais tarde, demonstrou ter informações privilegiadas da PF.

Embora sua intenção tenha sido parecer minimamente importante na CNN, a deputada de baixo clero, que quase não possui projetos, deixou evidente ser uma grande aliada da corporação, mas não por supostamente receber informações antecipadas e sim colaborar com as investigações contra Jair.

Em consequência de suas trapalhadas, Zambelli se tornou alvo de investigação, em que os resultados coadunam para a denúncia de Paulo Marinho, que acusou a família Bolsonaro de receber informações antecipadas sobre o caso Queiroz na campanha de 2018.

Primeiro a deputada estabelece um vínculo fortíssimo com o presidente do executivo ao mostrar conversas em que ela negocia com o ex-ministro Sergio Moro. Sua mensagem não pode ser jogada ao vento: "Ministro, aceite o Ramagem".

A nomeação de Ramagem como diretor-geral da PF foi impedida pelo STF por tentativa de aparelhamento da corporação. Depois de externalizar o vínculo, a abjeta servidora explana informações privilegiadas sobre investigações de governadores e dá até nomes, como o governador do Pará, Helder Barbalho.

Na reunião ministerial, Bolsonaro cita um sistema próprio de inteligência. No mesmo dia em que a gravação estapafúrdia é divulgada, o presidente diz em coletiva que foi avisado por amigos da polícia sobre investigações contra seus filhos.

Está claro que há informações sendo passadas para a súcia de forma ilegal e a "Mãe Zambelli" se tornou uma grande aliada nas investigações sobre esse esquema do governo. Cabe lembrar que o decano Celso de Mello colocou as investigações e o depoimento de Paulo Marinho em sigilo.

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