Israel Russo
Jornalista e professor de filosofia.
Black Lives Matter é igual a Ku Klux Klan?
Os avanços autoritários de movimentos “antirracistas” exigem uma chamada para a realidade

O vereador Fernando Holiday (Patriota-SP) publicou um vídeo em suas redes sociais comparando o movimento Black Lives Matter (BLM) com a organização Ku Klux Klan (KKK).

Fernando Holiday
Fernando Holiday (Foto/AFONSO BRAGA)

A analogia gerou polêmica até mesmo entre a direita, que não está segura de que a comparação faz seja adequada. A declaração do vereador vai de encontro com uma população inerte, que está simplesmente relevando todos atos violentos e autoritários de um movimento supostamente antirracista. O peso da comparação realça a devida importância que o debate sobre essa mobilização de massas ressentidas e perigosas.

Se olharmos as bases teóricas e as práticas desses grupos extremistas, podemos abstrair uma semelhança real com a organização supremacista branca dos EUA? A resposta mostra que Holiday não queria apenas que as pessoas olhassem esse problema, mas que tanto as práticas, quanto a estrutura do pensamento interno desses movimentos são comparáveis ao pensamento e prática supremacista da KKK.

O modus operandi do BLM está calcado na ideia de que necessariamente todo branco é racista, tendo em como pecado original ter nascido com ascendência caucasiana, participando de uma dívida histórica que ele não foi o devedor. Caso não aceite essa situação, o indivíduo passa para a situação de caloteiro.

A problemática, nesse caso, se encontra muito mais na pressuposição de racismo devido à cor da pele do que o argumento falacioso da dívida histórica. Ora, se o ponto de partida para sustentar um argumento sobre um determinado grupo de pessoas é a raça ou etnia, essa tese tem uma estrutura racista. Basicamente, uma atitude deliberada como o racismo passa a ser intrínseca a um tipo de pessoa devido à sua cor de pele.

O background intelectual que sustenta essa mobilização de massas pretende reeducar brancos, que nascem naturalmente racistas, detendo o cetro da verdade, conduzindo a sociedade e condenando os insurgentes.

É exatamente o que se reflete na realidade: militantes do Black Lives Matter coagindo e constrangendo pessoas que não aceitam fazer o sinal do movimento. Uma tese que almeja a subserviência total seria o que, se não autoritária?

Assim como o BLM, a Ku Klux Klan também tinha uma estrutura de pensamento semelhante, que pressupõe uma determinação de pensamento a um grupo de pessoas com vínculos étnicos e raciais. Muitos se baseavam nas estatísticas sobre criminalidade e violência para justificar a ideia de uma pré-disposição biológica ou cultural inclinada à ilegalidade.

Hoje é possível encontrar movimentos “antirracistas” que levantam bandeiras com dizendo que “miscigenação também é genocídio”, frase que daria orgulho a teóricos racialistas como Arthur Gobineau. O pensamento segregacionista é predominante; o objetivo do BLM nunca foi acabar com o racismo.

A luta “antirracista” é que mantém o movimento baseado em sede de vingança vivo. Sem a revolta com um sistema supostamente imutável, se não por uma revolução, o engajamento não é o suficiente.

A maior prova disso é a revolta limitada à violência policial, abandonando pautas de extrema importância, como a criação monoparental das crianças negras e o abandono precoce das escolas, que acarretam na ingressão em facções ou gangs de rua. Tais problemas foram analisados por Paulo Cruz e Fernando Holiday em uma live no Youtube.

Esse debate é considerado obsoleto pelos líderes dos movimentos antirracistas, pois toca na ferida do problema e exige muito bate-cabeça para ser resolvido. A revolta é mais fácil, sobretudo aquela que se apoia em massas, guiadas pelo sentimento de fim da história e almejando quebrar o status quo.

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Por se manterem nessa postura combativa e violenta, os resultados não são favoráveis a ninguém, a segregação emerge e o debate necessário sobre os reais problemas da população negra não acontece, pois, tal como dizia Ortega Y Gasset, a massa não quer o debate; o diálogo exige empenho, exige a coragem de servir-se do seu próprio entendimento.

Como a massificação muni as elites que tentam manipular a causa em benefício próprio, mas não tardará o dia em que boa parte deles vejam que perderam completamente o controle da situação, algo que já vem acontecendo.

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Nesse fim de semana, militantes do Black Lives Matter impediram que dois policiais baleados pudessem acessar o hospital. Não bastasse a atitude desumana, ainda entoavam "Esperamos que morram!" na porta do centro de saúde.

"Um policial e uma policial foram emboscados enquanto estavam em seu veículo de patrulha. Ambos sofreram vários ferimentos à bala e estão em estado crítico. Ambos estão em cirurgia. O suspeito ainda está foragido", esclareceu a instituição.

Casos como esse estão pipocando no país norte-americano, mas é uma realidade que não pode ser ignorada na República das Bananas. Como argumenta Holiday, grupos estão atacando pessoas somente por causa da cor da pele, algo que não está nem um pouco distante das atividades da KKK.

Obviamente que as bases teóricas tem estruturas semelhantes, mas partem de ideias distintas. Ambos possuem a revolta, mas o BLM ainda não deixou claro que defende uma supremacia negra, embora isso não seja algo impossível.

Portanto, a comparação do vereador é necessária, é preciso abrir os olhos para essa realidade que custa muito caro a quem explana, como Holiday, que é tratado pela esquerda como “capitão do mato”, pelo simples fato de não concordar com suas teses. Inclusive, este artigo corre o risco de ser rechaçado por falar o que ninguém quer ouvir.

Você está sendo roubado! O sistema usa o seu dinheiro, abusa de privilégios e cria leis para se blindar. O MBL vai na contramão desse sistema, lutando contra o Foro Privilegiado, Fundão e na defesa da prisão em segunda Instância e reformas. A batalha é desequilibrada, nós só podemos contar com você. Doe para o MBL clicando aqui.
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