Elso Junior
Membro do MBL-RR, Ex-Presidente do DCE-UFRR, Ex-Vice Presidente da UEE-RR; Apaixonado por esportes e especialista em cultura inútil
Bolsonaro é pior que Calígula
Os paralelos de loucura e paranoia entre o Imperador e o Presidente são tão grandes quanto sua verve autoritária

Quando Calígula assumiu o cargo de Imperador a esperança tomou conta de Roma. Eram quase três décadas de terror sobre as mãos de Tibério. A capital do império se sentia abandonada e sofria de profunda instabilidade. Tal cenário muito lembra o da subida ao poder de Bolsonaro, que também veio após à um desastroso e instável período "centropetista".

Devemos ter clareza neste paralelo histórico para não incorrer em falácias da história romana. O reinado de Calígula foi em muito mal visto por suas relações sexuais incestuosas com Drusila, Agripina e Lívila. A priori, toda relação incestuosa em Roma era vista como prenúncio de desastres naturais e o fato de o imperador ser tão paranoico a ponto de querer engravidar apenas suas irmãs, tal qual os "bárbaros faraós", contribuiu para mistificar seu péssimo governo.

Além disso, é notável que a derrocada do governo de Calígula se dá por um episódio deveras incitador da paranoia. Quando caiu em coma, o Imperador era amado por seu povo. No entanto, após acordar de sua enfermidade, viu-se cercado de tramas que o enlouqueceram ao longo do tempo. Gamelo, neto de Tibério e seu sucessor até então, foi acusado por Macro, chefe da guarda pretoriana, de ter rezado pela morte do imperador. Ambos acabaram "afastados" da corte, o guarda foi nomeado governador do Egito e o sucessor foi forçado ao suicídio. A partir daí foi ladeira a baixo.

Contudo, Calígula antes de sua derrocada havia promovido grandes obras de reforma e revitalização da Capital do Império, além de numerosas estradas conectando o vasto Império Romano a sua capital. Na curta duração de sua sanidade foi justo, preservou a vida de Gamelo até o fatídico episódio que mudou sua mente, diminuiu impostos de mais pobres e mantinha boa relação com o Senado ao revogar os Julgamentos de Traição comuns no reinado de Tibério.

Assim, é no período de sua loucura que os paralelos se encaixam. A paranoia é marca evidente de Bolsonaro e de Calígula pós coma. Ambos que surgiram como representações dos anseios do povo, viram na necessidade de se manter no poder o inimigo que nunca souberam lidar.

Certamente, a adoração messiânica que os dois ambicionam é nefasta. Calígula acabou com a economia romana com obras que o enaltecessem como um deus, chegou inclusive a decretar que Drusíla, sua irmã preferida, fosse tratada como uma deusa após sua morte. Bolsonaro é tratado tal qual um enviado máximo de Deus para "nos salvar do comunismo anticristão".

Ademais, a consequência política da crise econômica romana foi a volta dos Julgamentos de Traição, já que os ricos senadores ao morrer como traidores tinham suas posses confiscadas pelo estado. Ora, não há nada mais bolsonarista que a perseguição do capital político dos "traidores". Vejam os ataques a direita como são muito mais efusivos que as manifestações antiesquerda.

Frequentemente rememoramos à indicação de um cavalo como Senador como o ápice da loucura. Digam-me, qual a diferença de um cavalo e Bia Kicis na CCJ? Ao menos as "merdas" do cavalo são apenas físicas. Adiciona-se ainda o aumento de impostos de Calígula que em muito se assemelha a péssima condução econômica de Guedes, desastrosa para os mais pobres.

Mesmo assim, com tudo isso, Bolsonaro é pior que Calígula. Trago-lhes a invasão da Britânia como exemplo. Calígula querendo ter uma vitória política marchou para próximo do Canal da Mancha e viu-se derrotado pelo mar, que não permitia que seus barcos costeiros o atravessassem no inverno. Para não voltar de mãos vazias pegou soldados com aparência bretã, vestiu-os de prisioneiros e marchou como vitorioso por Roma.

Diferente do Imperador, Bolsonaro não teve sequer a hombridade de aceitar a derrota na guerra. O Presidente do Brasil marchou contra o Coronavírus com a noção clara de sua derrota. E como péssimo líder que é colocou o seu país como culpado das mortes que ele levou à acontecer. Se Jair não tivesse atravessado a pandemia como atravessou, tal qual um Canal da Mancha, talvez houvesse como defendê-lo na comparação com Calígula.

O Presidente sacrificou até a data de hoje 450 mil brasileiros, para não voltar de mãos vazias de sua "Britânia". Na comparação com o mais insano dos imperadores, sua paranoia lhe tornará historicamente o mais insano de nossos governantes.

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