Daniel José
Deputado na Alesp, economista pelo Insper e mestre em Relações Internacionais.
Vacina obrigatória ou cada um decide o que quer?
Afinal, em meio essa disputa absolutamente política, quem é feito de “cobaia”, não é mesmo?

Ao longo da semana, discussões acaloradas a respeito da obrigatoriedade (ou não) da vacina contra a Covid-19 apareceram nas redes. 

Totalitarismo? Preocupação com saúde pública? Mais uma vez, o debate está abordando o ângulo errado do problema…

Muitas pessoas desconfiam de uma vacina pelo fato dela ter vindo do país X, Y ou Z. 

Mas após aprovação da ANVISA (com a finalização da Fase 3 de testes), ninguém é feito de cobaia: até ali já foram testadas milhares de pessoas, seguindo o mais moderno protocolo científico.

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A partir do início da disponibilização da vacina levará um bom tempo para que todos sejam vacinados. 

As coisas não acontecem de uma hora para outra, mesmo se parte da sociedade se recusar a se vacinar. Ainda assim, aqueles em grupos de risco passarão algum tempo esperando.

E aqui, há um elemento contraditório prático:

O grupo que não quer ser vacinado deveria ser o conjunto de pessoas que melhor cumpre os protocolos e que mais buscam evitar oportunidades de transmissão do vírus.

Ou, pelo menos, deveriam agir dessa forma.

O maior problema é que há um movimento organizado que, além de não entender os avanços científicos, parecem se esquecer da consequência de seus atos irresponsáveis. 

Como, por exemplo, sair por aí sem máscara em aglomerações e protestos, aumentando os riscos de transmissão.

Essa turma defende um LIBERALISMO INFANTIL: quem fala de liberdade individual irrestrita parece se esquecer do que os liberais desde os clássicos diziam.

Afinal, não há uma liberdade irrestrita e ao mesmo tempo responsável. Nem sempre podemos fazer o que bem entendemos!

Temos sempre que considerar as externalidades: a tua ação tem impacto direto no outro. Exemplo: dirigir bêbado e poluição.

Decidir não tomar uma vacina pode ter impacto no grupo que ainda não conseguiu acesso a ela e também naqueles cuja a vacina não foi efetiva.

Assim, aqueles que não quiserem tomar a vacina deverão ser fiéis cumpridores dos protocolos sanitários. É responsabilidade individual também evitar ao máximo as chances de contaminarem outros.

Torço para que alguma vacina tenha aprovação em breve e que possa chegar o mais rápido possível a todos, em especial àqueles em grupo de risco.

E que não fiquemos em um embate político: a boa vacina é aquela que funciona e é segura. Pouco importa se é da China, Inglaterra ou da Rússia. A nova polêmica do presidente Jair Bolsonaro (em cancelar a compra da vacina desenvolvida pela Sinovac) veio acompanhada da informação que mesmo a vacina de Oxford tem insumos farmacêuticos da China

Afinal, em meio essa disputa absolutamente política, quem é feito de “cobaia”, não é mesmo?

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