Daniel José
Deputado na Alesp, economista pelo Insper e mestre em Relações Internacionais.
O caso de Pernambuco na Educação: o simples bem executado
A experiência de Pernambuco deixa claro que é possível transformar a educação com ideias simples

Tenho lido análises que tratam sobre boas práticas na educação e que trazem resultado concreto para o aprendizado dos alunos no mundo! Não é preciso ir muito longe para achar essa boas iniciativas. Vejamos o caso de Pernambuco e sua evolução notável na educação.

Ginásio Pernambucano Cabugá
Ginásio Pernambucano Cabugá (Reprodução/Internet)

A estratégia do estado nordestino focou em duas medidas simples de entender, mas difíceis de implementar com sucesso: MAIS aulas e MELHORES aulas.

Afinal, tudo começa com uma ideia...

A parceria público-privada

Um grupo de empresários criou o Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE) e revitalizaram o decadente e secular Ginásio Pernambucano. O projeto levou 3 anos e custou R$ 3 milhões.

Mas logo perceberam que revitalizar as estruturas da escola não muda a qualidade do ensino. Afinal, não adiantava entregar a estrutura “brilhando” para alunos desinteressados e professores desmotivados. As escolas estavam caindo aos pedaços. Alunos estavam abandonando a escola precocemente. Diretores e professores desorientados.

Era preciso repensar o modelo.

A estratégia para transformar o ensino

Foi estabelecida então uma estratégia pautada em 4 eixos para a educação em Pernambuco:

- Infraestrutura

- TEMPO INTEGRAL

- Inovação

- Gestão por resultado

Embora seja a medida mais conhecida, a escola em tempo integral não deve ser entendida isoladamente. A força estava no conjunto.

Manter os alunos em tempo integral era desafiador.

A infraestrutura deveria jogar a favor, criando um espaço que atraísse o jovem a ficar na escola. O ensino adotaria técnicas inovadoras, misturando a teoria com a prática, aproveitando-se do tempo maior de aula!

Aos poucos, escolas eram adaptadas para funcionar em tempo integral 

Mas havia uma questão: seria preciso justificar o custo maior dessas escolas (40-60% maior que a escola regular). Aí entraram em campo 2 termos importantíssimos: monitoramento de resultados e medidas de gestão!

Analisou-se como aliar o ensino à eficiência e, com os recursos economizados, continuar abrindo escolas em tempo integral. Ao mesmo tempo, diretores de escola monitoravam os índices de aprendizado constantemente, com autonomia para intervir caso necessário.

E os resultados vieram.

Os notáveis indicadores educacionais de PE

Hoje o estado nordestino está no topo da tabela do IDEB, ao lado de estados bem mais ricos, como SP e SC.

Possui a menor taxa de evasão do Brasil no Ensino Médio: de apenas 1,5%. Ainda apresentou a menor desigualdade de aprendizagem entre estudantes de nível socioeconômico mais baixo e mais alto.

Um estudo feito pela FGV mostrou que os jovens que estudaram nas escolas de tempo integral (que hoje representam 60% das matrículas e pouco mais de 50% das instituições de ensino) tinham maior chance de entrar na Universidade. Também tinham salários maiores que alunos da escola regular, mesmo sem o efeito do Ensino Superior.

Igualdade de oportunidades?

A experiência de Pernambuco deixa claro que é possível transformar a educação com ideias simples, execução séria e monitoramento constante. 

E claro, focada nos professores, peça-chave nesse quebra-cabeça: mais capacitação, melhores condições de ensino e, claro, reconhecimento.

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