Daniel José
Deputado na Alesp, economista pelo Insper e mestre em Relações Internacionais.
Exemplo de gestão na Educação: o caso do Espírito Santo
Quanto seria possível economizar se adotássemos medidas de gestão como essa em outras localidades?

Tenho batido na tecla que boas práticas educacionais devem ser estudadas e aplicadas respeitando as diferenças regionais. O notável desempenho educacional do ES é um exemplo disso.

Vamos aos fatos.

Escola Viva
Escola Viva (Divulgação/Twitter)

O Espírito Santo figurava na posição 14 no ranking do IDEB, em 2013, entre os 26 estados mais o Distrito Federal. Uma posição mediana, sem destaque. Passava ainda por um momento delicado: um ajuste fiscal profundo seria realizado em 2015. Não havia recursos para a educação. 

Era preciso ser eficiente.

Trabalhei em um projeto no Espírito Santo com o objetivo reduzir despesas durante o período da matrícula, tornando mais eficiente a configuração das turmas, respeitando as normas legais e considerando o transporte escolar dos alunos.

Com a medida, foram economizados mais de R$ 70 milhões. Menos gasto em eletricidade, menos turmas vazias. 

E isso nos faz refletir, uma vez que a rede estadual de ensino do Espírito Santo é menor do que a da cidade de São Paulo. Quanto seria possível economizar se adotássemos medidas de gestão como essa em outras localidades e aplicássemos esses recursos em políticas que melhoram o aprendizado?

Esse é apenas uma das diversas medidas que foram tomadas para economizar recursos e revertê-lo para outras ações, que traziam impacto real para os indicadores educacionais.

A gestão eficiente era importante, mas não era tudo. 

O ES apostou em outras frentes para revolucionar o ensino e o aprendizado dos alunos.

Pacto pela aprendizagem

Inspirado no Ceará, o ES estabeleceu um regime de colaboração entre o estado e municípios (PAES), estruturado em 3 eixos de trabalho:  Gestão, Aprendizagem e Planejamento e Suporte.

Não era possível alcançar os objetivos sem metas e indicadores claros!

Supervisor escolar

Para avaliar o desempenho, foi criada a figura do supervisor escolar, um agente externo que acompanhava a evolução e trabalhava em conjunto para focar nos resultados de aprendizagem.

A rede de confiança entre as partes foi fundamental para o sucesso da ação.

Escola viva - Tempo integral

Inspirado no case de Pernambuco, o ES investiu na abertura de escolas em tempo integral, que já mostravam resultado interessante no estado nordestino. 

Hoje são 64 escolas o estado oferecendo tempo integral de ensino, ou 8% das matrículas do ES.

O papel do diretor

Foram retiradas tarefas administrativas das costas do Diretor, para que ele focasse no acompanhamento de seus indicadores.

Aliás, o Diretor de escola no ES é escolhido via concurso que tem uma prova, mas também entrevistas e elaboração de um projeto pedagógico que deve ser apresentado à comunidade escolar.

Os resultados apareceram

Hoje, o Espírito Santo tem indicadores invejáveis: 2o melhor IDEB do Brasil, 1o no Ensino Médio, com o melhor desempenho no aprendizado de matemática e português entre todos os Estados.

Em pleno ajuste fiscal, combinou boas práticas de outros estados do Brasil. E apostou na gestão para transformar a educação!

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