Daniel José
Deputado na Alesp, economista pelo Insper e mestre em Relações Internacionais.
Como as escolas estão se preparando para a reabertura?
Acha que algum desses prefeitos vai tomar uma decisão impopular à essa altura do campeonato?

Nas últimas semanas, tenho visitado escolas públicas a fim de verificar como estão os preparativos para o retorno às aulas, programado para ocorrer em outubro em São Paulo, com 20% da capacidade

Daniel José
Daniel José (Foto/Diogo Moyses)

Apesar do governo ter autorizado a reabertura, quem bate o martelo de fato é o prefeito. E muitos deles estão focados nesse momento na reeleição em novembro, enquanto que a maioria da sociedade parece ser contra o retorno às aulas presenciais. Acha que algum desses prefeitos vai tomar uma decisão impopular à essa altura do campeonato?

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Dito isso, vou trazer um pouco das minhas impressões sobre as visitas que fiz em duas escolas, até o momento.

Minhas impressões

Visitei a Escola Estadual São Paulo, no bairro do Brás. O barulho intenso do trânsito de um dia normal da Avenida do Estado contrastava com o silêncio do interior da escola.

Notei que os procedimentos adotados pela escola para evitar a transmissão do vírus não são nada diferentes do que já estamos habituados a ouvir em outros locais: distanciamento de 1,5m, higienização com álcool gel e utilização de máscaras faciais. No caso da escola, as turmas serão menores, e haverá maior utilização das áreas ao ar livre.

Segundo um levantamento parcial da escola, menos de 50% dos alunos matriculados voltariam em outubro, segundo opção dos pais.

Alguns dias depois, fui até a Escola Pedro Fonseca, na Vila Sônia, que atende mais de 500 alunos do Ensino Fundamental II e Ensino Médio.

Ao mesmo tempo que fiquei impressionado com a evolução da escola nas notas do IDEB e na organização das salas virtuais com os alunos nesse momento de pandemia, é DESOLADOR ver a escola vazia daquele jeito.

Em pesquisa feita pela própria escola, por volta de 30% dos pais topariam levar seus filhos para estudar presencialmente. Contudo, como a volta dos professores também é opcional (mesmo aqueles fora do grupo de risco), o número de professores pode ser insuficiente já agora na volta das atividades extracurriculares, em outubro.

A diretoria de ensino ressaltou que alguns se superaram nesse momento, aprendendo rapidamente a utilizar a tecnologia em prol do aprendizado do aluno. São verdadeiros heróis nesse momento tão difícil. Mas, infelizmente, ainda estamos muito distantes de valorizar esse professor em destaque, e remover os que não estão engajados.

As medidas de proteção e cuidados para evitar a transmissão do vírus estão visíveis na escola: totens de álcool gel, placas de distanciamento, e poucas carteiras dentros das salas. As máscaras já foram compradas pela Secretaria de Educação e serão entregues para as escolas.

Próximos Passos

Vou continuar visitando escolas e conversando com a comunidade escolar para acompanhar essa volta às aulas presenciais. Abrimos praticamente todos os estabelecimentos, e deixamos para trás as escolas.

Muitos me criticam por defender abertamente a volta às aulas. Fico refletindo quem se responsabiliza pelo atraso irreversível e os casos de abandono escolar decorrentes do fechamento prolongado das escolas. Obviamente, os "defensores" da educação não respondem essa pergunta.

Precisamos voltar às aulas presenciais o quanto antes. Nossa falta de prioridades com a educação trará seu custo num futuro próximo. Um custo altíssimo para os alunos (especialmente os mais vulneráveis) e para a toda a sociedade.

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