Daniel José
Deputado na Alesp, economista pelo Insper e mestre em Relações Internacionais.
A volta das aulas presenciais: como foi nos outros países?
O desafio é enorme, tendo em vista as particularidades e as dificuldades históricas da educação brasileira

O retorno das aulas nas escolas e universidades brasileiras já começa a ser discutido, no âmbito das instituições públicas e das privadas. O desafio é enorme, tendo em vista as particularidades de cada instituição e as dificuldades históricas da educação brasileira, principalmente a pública.

Sala de aula vazia
Sala de aula vazia (Reprodução/Internet)

Embora atrasada, a discussão atual conta com uma vantagem: temos o histórico de outros países para verificarmos medidas que foram efetivas no retorno com segurança.

A França reabriu e logo voltou a fechar. Nova Zelândia e China tiveram mais sucesso. Agora, o governo de São Paulo informou que o retorno às aulas está previsto para o dia 8 de setembro, desde que respeitadas algumas condições. Inclusive, na apresentação mostrada ao público, é descrita várias experiências internacionais da volta das escolas.

Afinal, quais foram as ações adotadas por esses países?

LIMPEZA e HIGIENE

Foram reforçadas medidas dentro da instituição de ensino, com limpeza mais frequentes de áreas comuns e de objetos que são manuseados diariamente (maçanetas, portas, materiais de ensino, etc.). 

Estimular os alunos a lavarem as mãos e ter sempre disponível alcool em gel. Na maioria dos países, é obrigatório o uso de máscaras no interior da escola, embora haja algumas exceções para as crianças do ensino infantil.

RETORNO GRADUAL

Os alunos não retornaram todos de uma vez. O que tem se observado é o retorno dos alunos do último ano do ensino médio (devido ao vestibular) e do ensino infantil.

Os mais velhos têm tido aulas em espaços abertos, permitindo a utilização de mais salas de aula pelos menores.

TURMAS REDUZIDAS

As turmas foram divididas em 2 ou 3 grupos, para reduzir o contato entre as crianças e minimizar riscos de contágio. A ideia é obter rastreabilidade: em caso de diagnóstico positivo para COVID-19, o aluno/professor não teve contato com tantas pessoas.

Além da redução do número de alunos por turma, outras medidas como o fechamento do refeitório, diferentes horários de entrada e saída de alunos, proibição da entrada de pais e prestadores de serviço tem o mesmo objetivo: diminuir aglomerações e possibilidade de contágio.

APOIO PSICOLÓGICO

Nos primeiros dias de retorno, as escolas têm feito um trabalho socioemocional para identificar o efeito da pandemia sobre a saúde mental dos alunos. Esse efeito é mais intenso em ambientes que o ensino remoto não é tão efetivo.

Inclusive, importante mencionar que esses momentos de interrupção de aulas presenciais já ocorreram em países que passaram por eventos de guerra civil ou de desastres naturais. A orientação para esse trabalho socioemocional realizado logo na volta às aulas deriva de vários estudos que mostram sua importância.

GAPs de APRENDIZADO

Nenhum educador irá falar que não houve efeito da pandemia no aprendizado. Pelo contrário, o impacto é enorme: nada substitui o ensino presencial!

As escolas têm feito diagnósticos por aluno para identificar gaps de aprendizado e trabalhá-los em seguida! Cada aluno absorveu o ensino remoto de forma diferente, principalmente na escola pública, em que muitas vezes a condição da família não permitiu o aproveitamento pleno das aulas à distância.

ENSINO HÍBRIDO

Há alunos que não retornam nesse primeiro momento (por exemplo, insegurança dos pais). Ainda há outros que permanecem em casa pelo revezamento imposto pela escola, devido à divisão das turmas em pequenos grupos .

Por isso, o ensino remoto ainda permanecerá mesmo após a volta do presencial. Professores que pertencem aos grupos de risco podem subsidiar os alunos que estão em casa por meio das aulas à distância.

COMUNICAÇÃO ASSERTIVA

Países que retornaram às aulas tem adotado estratégia de transparência total, com o objetivo de dar maior confiança para os pais e responsáveis. Emails e SMS com informações e orientações são divulgados frequentemente para reduzir a insegurança da comunidade escolas.

Casos confirmados de COVID-19 são imediatamente comunicados, e a escola volta a fechar por alguns dias. São disponibilizadas salas isoladas dentro da escola para pessoas que estão com febre ou outros sintomas do novo coronavírus.

Mas e o Brasil?

Essas foram as principais medidas que os países adotaram para o retorno às salas de aula. O Brasil está bem atrasado nesse quesito!

Há riscos inerentes nesse processo. 

Mas com planejamento e com medidas inteligentes, será possível voltar às aulas presenciais com segurança!

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