Daniel José
Deputado na Alesp, economista pelo Insper e mestre em Relações Internacionais.
A defesa da educação sem corporativismo
As boas intenções não bastam! É preciso diagnosticar os problemas e avaliar como atacá-los

Apesar de muitos políticos dizerem que “defendem a educação”, a esmagadora maioria se limita a defender bandeiras corporativistas. Diferente deles, me dedico a transformar a educação no Brasil com visão orientada para resultados e políticas pautadas em evidências.

Mas o que isso quer dizer?

Políticos, em geral, se restringem a discutir salários e benefícios dos profissionais da educação. No máximo, cobram melhor infraestrutura nas escolas. Ponto. 

A busca por melhores salários é sem dúvida um direito, mas isso carece de uma visão orientada para resultados na educação. Explico.

O objetivo maior da educação é que os alunos se preparem para o futuro e que tenham oportunidades de se desenvolver!

Para isso, precisam aprender na escola conteúdos e habilidades que os preparem para se tornarem adultos independentes e produtivos. Mas como atuar na política para garantir que isso ocorra?

As boas intenções não bastam

O papel de um legislador é criar/votar leis e fiscalizar o poder executivo visando o cumprimento do objetivo maior da educação. Mas antes de sair por aí colocando no papel ideias de projetos de lei, por vezes repletas de boas intenções, é preciso dar um passo atrás.

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Esse político “defensor da educação” deveria fazer um diagnóstico profundo dos problemas e de como atacá-los. Avaliar o que está correlacionado e identificar políticas públicas efetivas para solucioná-los. Do contrário o resultado pode ser desastroso.

Todas as semanas na Comissão de Educação da Alesp eu voto contra a maioria dos projetos apresentados. Eis uma imagem de alguns PLs que são pautados e votados da Comissão de Educação:

“Prints” dos Projetos. Fonte: Diário Oficial.

Os políticos podem e devem fazer melhor. Milhões de crianças e jovens dependem disso. Para isso, precisamos buscar bons indicadores.

No Brasil temos o IDEB que avalia aprendizagem em português e matemática, abandono escolar e taxa de reprovação dos alunos. Apesar de limitados, esses indicadores são pontos de partida para entendermos os desafios da educação.

Ao nos aprofundarmos nos problemas reais, podemos encontrar pontos cruciais para melhorar a educação de fato: currículo, formação e modelo de carreira de professores e diretores, avaliações externas e gestão da rede estadual/municipal são exemplos de medidas efetivas.

Mas onde entram as EVIDÊNCIAS?

A todo instante indivíduos e organizações realizam pesquisas com rigor científico para estimar os resultados práticos de intervenções realizadas em escolas em todo o mundo.

Exemplos: (i) Qual o impacto que a intervenção 'X' no modelo de gestão escolar gera na evasão dos alunos? (ii) E qual é o impacto que a intervenção 'Y' na metodologia de ensino gera na capacidade de aprendizagem em matemática?

As evidências dos estudos indicam os melhores remédios para os problemas da educação. A boa intenção ou a primeira ideia que vem na cabeça de um deputado raramente se traduz em melhorias reais para a educação. Na realidade, pode piorar ainda mais os problemas.

Quando olho para os lados no plenário da ALESP ou em qualquer casa legislativa no Brasil buscando outros políticos com a mesma visão de resultados e evidências na educação, confesso que não encontro muitos rostos.

Vejo muito corporativismo e poucos projetos efetivos!

Apesar da trincheira estar vazia, sigo convicto que não existe guerra mais importante para travarmos do que essa.

Isso se quisermos ver o Brasil desenvolvido ainda em nossa geração. A educação de qualidade é o caminho para chegarmos lá.

Você está sendo roubado! O sistema usa o seu dinheiro, abusa de privilégios e cria leis para se blindar. O MBL vai na contramão desse sistema, lutando contra o Foro Privilegiado, Fundão e na defesa da prisão em segunda Instância e reformas. A batalha é desequilibrada, nós só podemos contar com você. Doe para o MBL clicando aqui.
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