Arilton Teixeira
PhD em Economia e especialista em Crescimento e Desenvolvimento Econômico.
O efeito dos juros baixos no dólar, nos preços e na inflação
Infelizmente, o Brasil não tem moeda forte, não é um país estável, nem oferece proteção

Desde o começo do fechamento das cidades, o Banco Central do Brasil (BCB) adotou a mesma linha de atuação dos países com moedas fortes. Reduziu os juros para tentar expandir e baratear o crédito.

Donald Trump e Jair Bolsonaro
Donald Trump e Jair Bolsonaro (Divulgação/PR)

Nos momentos de crise, há aumento de demanda por moedas fortes (e por títulos dos governos destes países), pois os investidores buscam maior proteção, estando dispostos a aceitar menor retorno.

Infelizmente, o Brasil não tem moeda forte, não é um país estável, nem oferece proteção. No ambiente de maior incerteza, como em 2020, a consequência da queda dos juros foi a elevada e persistente desvalorização do real frente às moedas fortes, como dólar, euro, libra, etc.

Ajude a manter o MBL na luta!

Esta desvalorização aumentou o preço dos bens comercializáveis em reais: commodities, alimentos, medicamentos, etc. Este aumento só não foi maior, devido a queda dos preços das commodities no mercado internacional.

Dada a recessão forte no primeiro semestre de 2020, estes aumentos não chegaram ao consumidor brasileiro. Com a demanda em queda, o produtor/atacadista não conseguiu repassar o aumento de custos para o consumidor, via aumento de preços, absorvendo a queda de rentabilidade (enquanto o IPCA, acumulado nos últimos 12 meses, está em torno de 2%, o IPA está em torno de 11% e o IPP está em torno de 15%).

Ajude a manter o MBL na luta!

Agora que a economia mundial está em recuperação, os preços das comodities no mercado internacional estão aumentando, gerando novo aumento de custos sobre as empresas brasileiras.

Mas, agora a situação é diferente. Com a recuperação da economia no Brasil ou há reversão na desvalorização do real, reduzindo os preços domésticos dos bens comercializáveis, ou os produtores/atacadistas brasileiros vão tentar repassar estes aumentos de custo e aumentar os preços para o consumidor, recompondo a margem de lucro. É o que está acontecendo no momento, conforme várias notícias na imprensa.

A política de juros do BCB tinha objetivos claros, dado o choque gerado pelo coronavírus. Mas não foram observados os efeitos colaterais numa economia instável como o Brasil. No momento de recuperação que vivemos, se a inflação aumentar o BCB vai puxar os juros para conter o dólar e o aumento de preços? Ou vai ignorar a inflação, mantendo os juros baixos?

Talvez, esteja na hora do BCB perceber que o Brasil não tem moeda forte, não é um país estável e começar a conduzir nossa política monetária levando estas características em consideração. Ou vamos voltar a querer punir setores competitivos devido à elevação dos preços? Já vimos isto durante o desastrado Plano Cruzado.

Ajude a manter o MBL na luta!
Você está sendo roubado! O sistema usa o seu dinheiro, abusa de privilégios e cria leis para se blindar. O MBL vai na contramão desse sistema, lutando contra o Foro Privilegiado, Fundão e na defesa da prisão em segunda Instância e reformas. A batalha é desequilibrada, nós só podemos contar com você. Doe para o MBL clicando aqui.
continua em outra matéria