Arilton Teixeira
PhD em Economia e especialista em Crescimento e Desenvolvimento Econômico.
Desenvolvimentismo ou irresponsabilidade fiscal?
Já deveríamos ter aprendido com os petistas: déficit elevado gera instabilidade, que aumenta a pobreza

Para combater os efeitos do fechamento das cidades, o governo brasileiro aumentou temporariamente os gastos e o déficit público (como muitos países estão fazendo). Agora, surgem dentro do governo grupos que querem manter os gastos elevados (em geral, são chamados de desenvolvimentistas na imprensa), inclusive, desrespeitando o teto dos gastos, estabelecidos no governo Temer pela PEC do Teto.

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes (Divulgação/PR)

Como já deveríamos ter aprendido com os governos petistas, déficit elevado gera instabilidade e incerteza, o que gera recessão e aumento da pobreza. Somente estabilidade e crescimento são capazes de manter a aprovação do governo. Mas, para voltar a crescer, o Brasil precisa de reformas. Gastos públicos nós já temos demais!

Tivesse o governo dado andamento nas reformas (como as propostas de emendas constitucionais, PEC, 186, 187 e 188 e a reforma administrativa) teríamos hoje condições de reduzir os gastos da máquina pública com o funcionalismo, liberando recursos para gastos prementes como a transferência de renda para os trabalhadores atingidos pelo fechamento das cidades.

Além disto, o andamento das reformas melhoraria as expectativas sobre a economia, na medida que mostra um governo focado na melhora do ambiente de negócios e no controle de seus gastos.

Para um país que consome 13.7% do PIB com funcionalismo (Estado de São Paulo/Instituto Millenium), é claro que devemos reduzir estes gastos. Mas, ao invés de focar no corte e no controle de gastos, o governo optou por focar suas atenções numa reforma tributária que somente gera incertezas com a ameaça de criação e aumento de impostos.

Como as pesquisas estão indicando, os gastos com o “coronavoucher” aumentaram a aprovação do governo Bolsonaro. Mas se a economia não voltar a crescer, aumentar a instabilidade e incerteza devido ao déficit público, estes gastos não devem ser suficientes para uma reeleição. O Brasil precisa de reformas e não irresponsabilidade fiscal.

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