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Os ministérios de Bolsonaro

Superado o frenesi eleitoral, os ânimos começam a se acalmar e a polarização política parte para uma

14/11/2018 11h11

Superado o frenesi eleitoral, os ânimos começam a se acalmar e a polarização política parte para uma nova fase. Definidos os jogadores da nova partida, se formam os agrupamentos de oposição, situação e centro, que tiveram facilidade singular para se compor após o pleito eletivo.

Entretanto, com a rápida composição atrelada a ansiedade geral pelo início do Governo Bolsonaro, os olhos da imprensa e da sociedade se voltam para um tema principal: os Ministérios de Bolsonaro. O suspense quanto aos nomes a serem indicados, atrelado a analises daqueles já confirmados, tomam conta dos noticiários e do debate político em geral.

Até o momento sete ministérios foram definidos: Casa Civil; Economia; Defesa; Ciência e Tecnologia; Justiça; Gabinete de Segurança Institucional; e Agricultura, assumidos respetivamente por Onyx Lorenzoni, Paulo Guedes, Fernando Azevedo e Silva, Marcos Pontes, Sérgio Moro, Augusto Heleno e Tereza Cristina.

Além destes, Joaquim Levy, ex-Ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, foi definido como nome para o BNDES.

Ainda no plano dos Ministérios, a primeira análise aponta para a escolha cirúrgica de nomes robustos, com maior destaque a Sérgio Moro, Juiz Federal responsável pelo julgamento dos processos da Lava Jato, que ficou conhecido por algo raro no Brasil em dias atuais: fazer cumprir a legislação e não ceder às investidas de políticos poderosos.

Sua nomeação evidencia a preocupação de Jair Bolsonaro em fortalecer o Governo e o Judiciário, revestindo-se da popularidade de Moro, que como super ministro levará a missão de inovar em um sistema legal burocrático, caro e engessado com leis obsoletas. Sob outra leitura, Sérgio Moro pode representar risco a Bolsonaro, haja vista que sua popularidade e imagem são iguais ou maiores que a do próprio presidente e uma saída abrupta causaria severa ruptura e instabilidade para o Governo.

Os militares, claramente prestigiados pela confiança popular e do próprio Jair possuem elevada representatividade, iniciando por ninguém menos que o Vice Presidente, General Mourão, Augusto Heleno para o Gabinete de Segurança Institucional e Fernando Azevedo e Silva para a Defesa.

E sobre este último cabe nossa análise. Fernando Azevedo e Silva, General da Reserva Exército Brasileiro, atualmente na reserva, possui 17 condecorações nacionais e 4 estrangeiras, chegando a exercer a função de chefe do Estado Maior do Exército. Todavia, a maior polêmica em sua indicação advém de sua recente função – assessor do Ministro do STF, Dias Toffoli.

Dias Toffoli é alvo de constante desconfiança da população, especialmente dos apoiadores de Bolsonaro, haja vista ter atuado como advogado do PT durante a primeira década de 2000 e, ter chego ao STF justamente por indicação do ex-Presidente Lula.

A indicação feita exatamente um dia depois de indicar Joanquim Levy para o BNDES, chamou a atenção de apoiadores de Bolsonaro, uma vez que ambos, de algum modo, exerceram alguma função próxima ao PT.

Entretanto, cautela deve ser adotada no tom crítico empenhado justamente pelos apoiadores mais próximos de Jair. Fernando Azevedo e Silva possui uma história irretocável como militar, honrado, transitou pelas mais altas funções de comando e indiscutivelmente possui os atributos necessários para as funções de Ministro da Defesa.

A opção de Jair Bolsonaro em banca-lo como ministro traduz um claro aceno ao establishment, acrescida a sua relação cordial com Dias Toffoli, que afasta Jair da postura de coalizão e começa a desenhar um novo Bolsonaro, alinhado à composição institucional.

Quanto a Levy, apesar de ter sido Ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, suas ideais liberais indiscutivelmente foram minadas pela incapacidade cognitiva da ex-Presidente, atrelado ao populismo bolivariano do PT. Joaquim errou ao aceitar a função outorgada por Dilma e tem agora a chance de recuperar sua credibilidade com Bolsonaro.

Mas a problemática não se encerra ai. Sendo Levy um dos nomes mais gabaritados na economia nacional, especialmente por ser militante da escola de Chicago, o futuro chefe do BNDES claramente faz sombra ao novo chefe da economia e “posto Ipiranga” de Jair, Paulo Guedes.

Doutro modo, num governo claramente liberal, o Banco Nacional de Desenvolvimento Economico e Social perde significativamente sua função, sendo que a grande missão do recém nomeado Presidente da instituição, será abrir suas vísceras, o que provavelmente levará a extinção do banco, junto da prisão de alguns de seus ex-companheiros do Governo Dilma.

O futuro Ministro da Economia é visto por parcela da sociedade como homem forte do governo (apesar desta função ser na prática exercida por Onyx Lorenzoni), possui indiscutível conhecimento teórico em Economia e tem os atributos necessários para trazer ventos liberais para o Brasil, o que é imprescindível para o crescimento do país. Assim como Levy, é devoto a escola de Chicago, um de seus maiores atributos e justamente o ponto de convergência e eventual conflito entre ambos.

A pasta da Casa Civil será confiada a Onyx Lorenzoni, Deputado gaúcho que chegou a ser cogitado pelo DEM como candidato ao Governo do Rio Grande do Sul, Onyx foi um dos primeiros parlamentares a embarcar no projeto Bolsonaro 2018, sendo reeleito como segundo deputado mais votado do Estado.

Seu ganho de notoriedade foi justamente pela postura aguerrida na ocasião do mensalão, atrelado ao combate ao petismo. Colorado de coração, o futuro Ministro da Casa Civil terá como missão articular um novo Congresso Nacional marcado pela maior reciclagem dos últimos anos e pela polarização.

Justamente essa polarização pode ser o maior trunfo do futuro Ministro. Onyx indiscutivelmente foi o Democrata mais à Direita do partido, alinhamento que lhe traz facilidade no trato com a bancada do PSL e novos parlamentares do DEM, PP, e PR, além de alguns outros espalhados por legendas “murescas”.

Marcos Pontes e Tereza Cristina encerram os nomes já apontados por Jair, ambos consagrados nas respectivas áreas e fino trato. Salvo pequenos pontos, até o momento a composição ministerial de Bolsonaro comunga da mesma credibilidade do Presidente, que ainda tem por missão compor o restante do time de forma entrosada e sólida, além de reduzir significativamente o número de pastas.

Advogado e coordenador nacional do Movimento Brasil Livre.