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Opinião
O Mecanismo de desconstrução histórica de Padilha

Padilha busca sua redenção com a esquerda

14/05/2019 20h46

Divulgação/Netflix

Ao que parece, José Padilha contraiu alguma patologia psicológica com o sucesso de Tropa de Elite. Entretanto, não falamos do egocentrismo vulgarmente demonstrado pelo popular “o sucesso subiu à cabeça”, mas sim pelo inconformismo pessoal causado pela idolatria popular do “vilão” que na realidade é o herói. 

Tropa de Elite foi concebido para demonizar a polícia. Seu pensamento serviria justamente ao fim idealizado pela elite psolista de caviar. Entretanto, a sociedade não pensa como a elite do Leblon, Padilha se tornou vítima de Nascimento e seu potencial vilão refletiu o que toda sociedade esperava – bandido que dá tiro pra matar, tem que tomar tiro pra morrer. 

Os anos se passaram e o cineasta viu crescer o sucesso em razão, talvez, de seu maior erro. Eis que com os movimentos sociais e o impeachment, Padilha e sua tese de “mecanismos” e “sistemas” voltou às telas. 

A séria o “Mecanismo” viria a retratar a operação Lava Jato, do início ao impeachment. A expectativa se fez grande, afinal o inventor do “Capitão Nascimento” teria os atributos necessários para exprimir com primazia as mazelas do PT, a incompetência de Dilma Rousseff e a força das ruas no processo todo. 

Ledo engano! 

A série foi morna em sua primeira temporada. Causou pouco barulho e ficou restrita aos mais próximos da política. Mas teríamos a segunda temporada – o impeachment – e junto dela a pá de cal na reputação de seu idealizador. 

Com alterações bisonhas da realidade, resolveram reescrever a história. Dilma se tornou uma política honesta, que não ouviu Lula e acabou vítima de um golpe orquestrado pela Direita de Aécio (pasmem) e Temer. 

Os milhões de brasileiros que tomaram as ruas contra a corrupção e o PT simplesmente foram esquecidos, se tornaram figurantes em um jogo capitaneado pelo Mineiro derrotado. Um acinte à população, um acinte ao processo democrático e a todos os movimentos sociais. 

Padilha busca sua redenção com a esquerda e para isso sacrifica a democracia e a história contemporânea. O sujeito que enterrou o clássico Robocop, sepulta sua credibilidade com uma tentativa bizarra de passar o pano para a maior quadrilha da história. 

Advogado e coordenador nacional do Movimento Brasil Livre.