Eleições
O futuro das eleições americanas | Por Kim Kataguiri

Trump segue apresentando resultados satisfatórios, sobretudo na economia

06/03/2020 15h18

Nos últimos dias, o fato mais relevante na política internacional foram as prévias do partido democrata, na famosa “super terça”, quando vários Estados realizam suas votações. O grande vencedor da ocasião foi o ex-vice-presidente de Obama, o veterano Joe Biden. A seu lado, como principal concorrente, aparece Bernie Sanders, o ex-prefeito socialista que quase venceu Hillary Clinton nesta mesma corrida, em 2016.

Pesa contra Sanders seu histórico radical, de quem já defendeu racionamento de comida nos anos 80, sob a alegação de evitar desperdícios e garantir o mínimo para todos. Tese que, em um primeiro momento, pode parecer solidária e humana, mas esconde em sua página dois, um erro lógico que faria ruborescer até mesmo uma criança da quinta série. Talvez por isso, com o passar dos anos, Bernie, como prefere ser chamado, tenha abandonado essas ideias, ou ao menos deixado de dizê-las publicamente.

De qualquer forma a candidatura de Biden ainda não pode ser dada como certa. Com a desistência de Bloomberg e Warren, o antigo companheiro de chapa de Obama sobe em favoritismo, mas o imprevisível de um eleitor democrata saturado por um establishment partidário enfraquecido pode levar o velhinho socialista às urnas contra Trump.

O presidente, contudo, segue apresentando resultados satisfatórios, sobretudo na economia. A política de redução de impostos resultou em um momento de pleno emprego, algo raro na história americana. Emprego, este, que era uma das principais queixas das eleições passadas, torna-se, agora, um trunfo do presidente bilionário, ainda que este insista em suas trapalhadas retóricas, algo bem semelhante a seu fã tupiniquim, que por sua vez não tem alcançado o mesmo sucesso nas políticas econômicas.

Biden, contudo, ainda que flerte com a ala mais moderada dos democratas, terá, se vencedor das prévias, o desafio de enfrentar as boas medidas do atual governo que, quer queiramos ou não, também amenizou o seu discurso de campanha, na prática. O “medo” de Trump, em 2016, já não existe mais, o que dá uma vantagem clara ao republicano que pretende se manter na Casa Branca.