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Lewandowski é o exemplo acabado de como a sordidez de homens públicos corroí a democracia

Ricardo Lewandowski é aquele que nunca fez questão de ser amado, preferindo mesmo ser temido (ou até

07/12/2018 17h07

Folha/Poder

Ricardo Lewandowski é aquele que nunca fez questão de ser amado, preferindo mesmo ser temido (ou até odiado) pelas posições cínicas que sempre nortearam sua vida pública. Imoral até o último fio do cabelo, o ministro que se vê como príncipe da Igreja protagonizou um grande vexame institucional ao pedir ao ameaçar de prisão um jovem advogado que o criticou. Defenestrado por milhões de brasileiros, o ministro conseguiu apenas o apoio interesseiro de corporativistas da casta jurídica e o apoio constrangido de alguns esbirros do establishment no meio jornalístico. Se formos analisar o episódio com frieza, veremos que os que foram solidários ao ministro talvez não completem a capacidade física de uma Kombi. E isso é grave? Sim.

É grave não por Lewandowski, figura desprezível de nossa história que só ganhou a dimensão que tem ao se tornar lacaio de uma figura ainda mais repugnante. Lewandowski é apenas um jagunço do petismo, que será varrido para a lata de lixo da história independente de quanto dure seu esperneio. O que está em jogo são nossas instituições, que deveriam em tese sobreviver aos homens que as ocupam em caráter temporal.

Países com instituições fortes não passam por episódios assim. Por mais que a estratégia do escracho possa ser questionada, qualquer conservador ficará enternecido diante de um quadro onde a população se coloca de forma esmagadora como crítica de uma instituição do Estado – ainda mais em se tratando da instituição que deveria ser a guardiã da Constituição. No caso de Lewandowski não há nada parecido: a instituição acabou por se contaminar ao ser ocupada por leprosos morais. É esta ação de erva daninha que corrói nossa democracia, uma vez que os cidadãos a descrença nas instituições fomenta no imaginário popular a perspectiva e soluções autoritárias.

É evidente que o pecado original passa pela própria Constituinte de 1988, se é que não pode ser creditado ao próprio golpe de 1889 – aquela quartelada liderada por milicos fundamentalistas e escravocratas ressentidos que derrubou o único modelo de Estado verdadeiramente popular e democrático que já vigorou neste país. Desde então tudo o que temos são constituições efêmeras que nos proporcionam estruturas institucionais fracas. Por sua vez estas instituições fracas se deixam contaminar por homens pequenos que as conspurcam com sua sordidez exatamente como acontece na Revolução dos Bichos. Na obra de George Orwell chega uma hora em que já não se distingue mais quem é porco e quem é homem. O mesmo se dá com o STF, sendo que aqui não se distingue mais os limites entre a mais alta corte do judiciário e um chiqueiro.

Instituições deveriam ser impessoais e eternas, com cada governo contribuindo com seu caráter programático na forma da lei – como é o caso da própria indicação ao STF, feita sempre pelo presidente de turno. No entanto o que se vê aqui é a banalização do mal e a vulgarização da coisa pública fermentada pelo ideário marxista de aparelhamento do Estado e ocupação de espaços. Desta forma uma indicação ao Supremo não é só uma prerrogativa do chefe de Estado, mas sim uma forma de fazer do Judiciário uma trincheira política. Ao invés de ser nomeado para exercer o cargo dentro de suas atribuições, Lewandowski foi agraciado com a possibilidade de ser despachante da organização criminosa a partir do Supremo – com autorização especial até para rasgar a Constituição quando esta conflitar com o comando do PT. Daí em diante, o caos está posto.

Mas é preciso observar (e reforçar) que o mal maior não é o STF ou algumas das atribuições dos ministros. Que a solução não está no escracho, no autoritarismo e no fim da separação dos poderes – ao contrário: a solução está justamente na radicalização da democracia. Uma sociedade vigilante irá fazer uso dos limites institucionais para colocar focinheira nos monstros morais que usam a coisa pública para propósitos pessoais. Uma petição pedindo o impeachment de Lewandowski será mais útil do que pedir o fim daquela casa. Uma mobilização entre Senadores para garantir seu voto favorável ao impedimento do ministro também seria bem-vinda. A vigilância sobre os nomes anunciados para ocupar este tipo de nomeação também é eficaz para evitar que parasitas como o jurista da rota do frango com polenta prosperem no Legislativo. É bom lembrar que tipos como Lewandowski são como herpes: eles se manifestam justamente quando a imunidade está baixa. Convém lembrar que em se tratando de Nações, o período de tratamento costuma ser bem mais lento e doloroso. Exige do cidadão brasileiro coragem e frieza para erradicar de nosso Estado a doença.

Bacharel em Relações Internacionais, pós-graduando em Ciência Política pela FESPSP, conselheiro do MBL, assessor parlamentar, palpiteiro e o mais importante: corintiano.