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Educação
Glenn Greenwald e balbúrdia: o que está em jogo no 57° congresso da UNE?

O primeiro congresso estudantil do governo Bolsonaro vem aí, mas o que está em jogo?

10/07/2019 15h57

O primeiro congresso estudantil do governo Bolsonaro vem aí, mas o que está em jogo? Glenn Greenwald e entidades irrelevantes são presenças confirmadas, inflamadas pelas caneladas de Abraham Weintraub, ministro da Educação.

  • O peso do Bolsonarismo.

O governo Bolsonaro tem culpa por inflar esses movimentos. A maneira como o MEC vem sendo conduzido é um deleite para a oposição.  A passagem de Ricardo Vélez Rodriguez foi uma das coisas mais vexatórias dos últimos tempos e o começo de Abraham Weintraub foi marcado por caneladas.

Em 30 de abril o 2º Ministro da Educação do governo Bolsonaro anunciou que o MEC cortaria verba de universidade por “balbúrdia”, enquadrando UnB, UFF e UFBA. Posteriormente ele anunciou que o corte seria em todas as federais. As entidades estudantis (até com certa razão) entraram em polvorosa.

Weintraub tentara corrigir explicando que, na verdade, eram contingenciamentos que ocorreriam em todos os ministérios, envolvia a regra de ouro, uma questão econômica e difícil demais. O estrago estava feito: Nos dias 15 e 30 de maio a esquerda estudantil fez manifestações enormes, com um público não obrigatoriamente ideologizado. Culpa do governo, eles voltaram ao game.

  • A situação e a oposição.

Voltamos ao congresso da UNE. O PCdoB – nos últimos 30 anos, todos os presidentes da UNE vieram do partido – indicou Iago Mantovão à presidência da UNE. Havia especulações que indicavam que Nayara Souza, presidente da UEE-SP, seria a indicada, mantendo a proeminência feminina na presidência da entidade.

Segundo Nayara: “Uma discussão longa e responsável dentre lideranças incríveis escolheu Iago”.

De acordo com o portal de extrema-esquerda “O cafezinho” essa é a relação delegado – partidos mais próximo do CONUNE.

Corrente (partido mais próximo) – Número de delegados:

  • União da Juventude Socialista (PCdoB) – 3.700
  • Levante Popular da Juventude (MST – ligado ao PT) – 900
  • Correnteza (PCR) – 500
  • Para todos + Luta (CNB – PT) 
  • Democracia Socialista (PT)  – 400
  • Juventude Socialista (PDT)  – 300
  • Partido Socialista Brasileiro (PSB) –  300
  • Jovens velhos, a falta de renovação.

Mesmo jovens de idade, são velhos em ideias. Na tese a tese do movimento Canto de esperança – de Iago e Nayara – trás trechos como: 

“Para atravessarmos esse momento é fundamental garantir a unidade dos movimentos sociais e de todos os setores progressistas. Atuaremos em conjunto com a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo garantindo um calendário de mobilizações para que, aliado às centrais sindicais e aos setores progressistas, possamos ocupar as ruas contra a reforma da previdência, a entrega do patrimônio nacional às corporações estrangeiras e todas as tentativas de retiradas de direitos.” Nada novo no front.

  • O avanço do PDT.

A “esquerda Ciro Gomes” está crescendo. No 57º congresso da UNE, a Juventude Socialista (alinhada ao PDT) tem 300 delegados. Longe do suficiente para eleger um presidente, mas mostra um avanço significativo em relação aos outros congressos.

  • Os radicais.

O Faísca – Juventude Anticapitalista e Revolucionária surge como o polo mais radical à esquerda do CONUNE, fazendo ataques à atual direção da UNE, composta pela União da Juventude Socialista (do PCdoB), Levante Popular da Juventude e Juventudes do PT (Kizomba, JPT).

A intenção do movimento (?) pode ser explicitada no seguinte trecho do documento “As perspectivas para uma juventude marxista e revolucionária rumo ao 57º Congresso da UNE”:

“Imaginem a força que poderia ter se a Oposição de Esquerda, ao invés dessas políticas, colocasse seus parlamentares, sindicatos, entidades e projeção do PSOL como um partido à esquerda do PT para ecoar uma exigência às centrais sindicais e à UNE que movam o enorme contingente da classe trabalhadora e da juventude brasileira, provendo todos os meios para que, pela nossa auto-organização, tomemos as entidades em nossas mãos e façamos delas instrumentos de luta? Como poderia ser a articulação da oposição se Guilherme Boulos, que vem reunindo centenas de jovens em diversas universidades do país, fizesse esse chamado se contrapondo na prática as concepções burocráticas da direção da UNE e das Centrais Sindicais?”.

Conhecer os nossos inimigos para vencê-los. Ou, no caso da direita brasileira, continuar vencendo.

Acadêmico de Direito, filiado ao Cidadania, Editor do MBL News e Comentarista do Café com MBL.