Governo
Bolsonaro muda o tom | Por Kim Kataguiri

Torçamos, portanto, que a luz de sensatez alcance, enfim, toda a família presidencial

21/03/2020 13h02

Finalmente o presidente Bolsonaro muda o tom e abandona o discurso brando e irresponsável acerca do coronavírus.

Após ser duramente criticado em uníssono por pessoas da direita, esquerda e centro após cumprimentar manifestantes nos atos do último domingo, visto que ainda corria risco de estar infectado, já que dezenas de membros de sua comitiva testaram positivo; o Presidente da República recuou e, acertadamente, sem manter o compromisso com o erro, deu o tom das medidas necessárias para o combate ao Covid-19 na última coletiva.

Parte desta guinada bem sucedida deve-se à atuação eficiente do ministro Luiz Henrique Mandetta que, apesar de quadro político, é médico e tem conhecimento técnico e de gestão, operando de forma satisfatória o Ministério da Saúde e a crise que se avizinha.

Bolsonaro, contudo, precisa aprender com o episódio, visto que se diz conservador e que, portanto, deve prezar pela prudência. Um chefe de Estado deve agir em prol do interesse público, jamais para agradar sua facção ideológica e alimentar um projeto de poder.

A mudança de atitude, por sua vez, vem de encontro com as informações de que, 20 dias após o início da crise do coronavírus no Brasil, demonstramos números piores que a Itália, no mesmos 20 dias. Isto pois o país europeu foi, até agora, o que mais sofreu com o vírus, o que nos coloca em estado de alerta perante a possibilidade de termos uma crise ainda maior, sem precedentes e completamente incontrolável do ponto de vista econômico, social e de saúde pública.

Vale ressaltar que líderes de direita pelo mundo, admirados por nosso presidente, como é o caso do presidente americano Donald Trump e do primeiro ministro britânico Boris Johnson, tomaram medidas duras sem hesitar ou apelar às teorias conspiratórias de guetos extremistas.

Se a alteração da rota, tomando o coronavírus como grave problema nacional, é um ponto positivo a se ter em conta; em compensação, como não poderia deixar de ser, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, achou pertinente e muito perspicaz atacar a China, maior parceira comercial do Brasil.

A crise diplomática pode ter implicações econômicas sérias, prejudicando inclusive o socorro que o governo brasileiro terá de dar à população, visto que uma renda mínima deve ser discutida muito brevemente, impactando em mais de 50 bilhões o tesouro nacional.

Torçamos, portanto, que a luz de sensatez alcance, enfim, toda a família presidencial, de modo que o Brasil, nossa amada Nação, possa enfrentar com seriedade e preparo a grave crise iminente.