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Ana Estela Haddad, Tabata Amaral e 57° congresso da UNE: não há renovação na esquerda

A esquerda segue com uma tímida autocritica e sem renovação.

10/07/2019 15h39

Depois das derrotas acachapantes nas eleições de 2016, com fraca recuperação nas eleições de 2018, a esquerda segue com uma tímida autocritica e sem renovação. Três episódios que ocorreram nessa semana explicitam bem essas colocações.

  • Ana Estela Haddad

Há negociações entre PT e PSOL para, nas eleições de 2020, o PT apoiar Marcelo Freixo para prefeito do Rio de Janeiro. Em contrapartida o PSOL apoiaria o candidato petista à prefeitura paulistana, que deveria ser Ana Estela Haddad, esposa de Fernando Haddad. 

Deveria. Pois segundo o Antagonista, Lula “não gostou” do nome da esposa do poste. A candidata mais forte do PT para o pleito paulistano deve ser “apenas” candidata a uma cadeira na Câmara Municipal. É o PT jogando a eleição da prefeitura da 5ª maior cidade do mundo às favas graças a uma ordem do seu “líder”, o que prova a força ainda mais forte do lulismo, mesmo da cadeia.

  • Tabata Amaral

Também especulada como candidata à prefeitura de São Paulo, a maior representante da “esquerda limpinha” tinha tudo para tirar os pés do lamaçal petista. Não foi o que vimos. Após sofrer forte pressão das orlas esquerdistas para declarar que não votaria favorável à reforma da previdência apresentada pelo governo Bolsonaro, Tabata assim o fez.

Além disso, em entrevista ao pouco confiável “O Cafezinho” Tabata fez declarações como “O que eu acho que poderíamos fazer, e que seria positivo, é uma regulamentação do mercado de comunicação” e, sobre a prisão de Lula “eu posso questionar é a intenção política do processo, se foi imparcial ou não.” Ah, Tabata…

  • 57° congresso da UNE.

Duas coisas chamam atenção no CONUNE 2019: o crescimento da “esquerda Ciro Gomes” e a presença do discurso tradicional esquerdista.

No 57º congresso da UNE, a Juventude Socialista (alinhada ao PDT) tem 300 delegados. Longe do suficiente para eleger um presidente, mas mostra um avanço significativo em relação aos outros congressos.

A tese do movimento “Canto de Esperança”, que deve eleger o novo presidente da UNE, trás afirmações pouco alinhadas a uma renovação como: “Atuaremos em conjunto com a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo garantindo um calendário de mobilizações para que, aliado às centrais sindicais e aos setores progressistas, possamos ocupar as ruas contra a reforma da previdência, a entrega do patrimônio nacional às corporações estrangeiras e todas as tentativas de retiradas de direitos”. Já ouviram esse discurso antes, né?!

A União Nacional dos Estudantes, o PT – partido de esquerda que foi hegemônico no Brasil – e a jovial Tabata Amaral, nenhum desses trás algo lá muito novo ao debate político da esquerda brasileira. Autocritica? Tímida. A volta à base defendida por Mano Brown em 2018, com a esquerda “voltando a defender os interesses da periferia”? Ainda não veio.

Azar o deles.

Acadêmico de Direito | Líder do MBL - São Paulo | Colunista do MBL News | Amante de música brasileira e futebol inglês