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A ditadura do politicamente correto

A fragilidade das civilizações e dos valores ocidentais é uma das grandes lições do século XX

20/01/2020 10h00

“Onde não se pode criticar, todos os elogios são suspeitos.”
Ayaan Hirsi Ali

A fragilidade das civilizações e dos valores ocidentais é uma das grandes lições do século XX.

Neste cenário, algumas figuras notáveis se destacam no debate de ideias, dentre elas algumas mulheres incomuns.

Hoje conheci duas destas presenças exponenciais, embora nenhuma delas seja referência do movimento feminista.

Uma é Ayaan Hirsi Ali, uma ex-refugiada nascida na Somália e que ganhou reconhecimento graças aos seus próprios méritos na denúncia contra o sofrimento da mulher em sociedades orientais.

Seu ativismo contra o politicamente correto não arrefeceu mesmo quando ela se tornou uma parlamentar da Holanda.

Esta sua luta foi retratada em filme feito pelo diretor Theo van Gogh, sendo que em razão do filme Theo foi esfaqueado publicamente até a morte no ano passado. Na nota deixada presa ao cadáver de van Gogh, Ayaan foi identificada como o próximo alvo.

Depois que foi ordenada por um tribunal holandês a sair do seu apartamento porque seus vizinhos se sentiam inseguros nas proximidades, ela se mudou para os EUA.

Ayaan tem deixado claro que a tolerância exagerada com o politicamente correto como nos dias atuais é uma tirania. É uma tirania em razão de um vergonhoso silêncio na falta da liberdade de expressão.

A correção política degenerou o debate público e qualquer opinião contrária ao politicamente correto logo é marginalizada como radical.

Estamos perdendo a nossa capacidade aberta de questionar e o resultado é uma forte limitação da liberdade de expressão.

Quando alguém sabe que uma alternativa é certa e a outra errada, não há justificativa plausível para escolher o meio termo.

Esta fuga empurra a verdade para um colapso total.

Você pode até discordar da maneira vigorosa como Ayaan se expressa nos seus livros “Herege” e “Infiel”, mas a ideia de que qualquer coisa pode ser reescrita – seja o passado ou o presente ao sabor das ideologias é inaceitável.

Afinal, qual mundo tem estabilidade quando seus pilares, como a verdade e o bem, são voláteis?

Antônio Cabrera Mano Filho é um veterinário e político brasileiro. Antônio foi ministro da Agricultura no governo Fernando Collor, entre 3 de abril de 1990 a 2 de outubro de 1992.