fbpx
Educação
5 motivos para defender a prova digital do ENEM proposta pelo MEC

Depois de inúmeras caneladas, Weintraub resolveu trabalhar com efetividade

04/07/2019 13h53

Depois de inúmeras caneladas, Abraham Weintraub, Ministro da Educação, resolveu trabalhar com efetividade. O projeto de transformar o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) em uma prova digital é um deleite para quem gosta de política pública.

O grito acéfalo, com uma pitada de clichê/senso comum, geralmente dá o tom no debate político brasileiro. Exemplos não faltam: Ricardo Vélez, ex-ministro da educação, tentou emplacar um edital para compra de novos livros didáticos que não precisariam de referencias bibliográficas. 

Posteriormente, enviou uma carta às escolas pedindo para que os professores colocassem os alunos em fila e cantassem o hino nacional, além de ler uma mensagem que terminava com o slogan da campanha de Jair Bolsonaro. Terminou demitido.

Na atualidade brasileira, com exceção do Ministério da Economia, raras são as vezes em que são implantas políticas públicas cientifica e economicamente testadas, com lastro internacional. É o caso da prova digital do ENEM, mostrarei em 5 pontos os motivos para defender esse projeto do MEC.

  1. Transição Gradual.

A prova será oferecida opcionalmente uma vez para 50 mil alunos de 15 capitais em 2020. Em 2021, haverá duas provas e dali em diante serão quatro datas para provas digitais por ano. A partir de 2026, 100% das provas do ENEM serão digitais.

  1. Custos

O projeto-piloto custará R$ 20 milhões. O modelo atual do ENEM, com provas escritas, custa R$ 500 milhões para 5 milhões de participantes. Economia e gestão para nossa educação, sobrando verba para outros investimentos.

  1. Avaliação contínua

Com os custos reduzidos, sobra verba e tempo para aplicar mais de uma prova por ano, trazendo capacidade de avaliar o aluno em mais períodos do ano.

No modelo atual, o aluno é avaliado uma vez e em um único período do ano (geralmente no final), uma avaliação contínua gera um preparo contínuo e traz a oportunidade de avaliar o estudante melhor. O “efeito sorte” diminui.

  1. O Processo de execução do ENEM já é digital.

Atualmente, só a parte de aplicação da prova é analógica, com todo o resto do processo feito por computador. As tentativas de fraudes são, no geral, na hora de atribuir a nota ao aluno – que já é feita online – e não no momento da prova.

  1. Computadores.

O governo não terá de arcar com o equipamento da prova. As empresas contratadas para aplicar a prova serão responsáveis pelos computadores e equipamentos.–

Que os ventos do “ENEM digital” guiem Abraham Weintraub e ele passe a tratar a educação brasileira com o peso que ela merece.

Agora ele tem dois caminhos: no primeiro, uma nova declaração infeliz e mal colocada que pode gerar novas manifestações estudantis como as de 15 e 30 de maio. Na segunda, um novo plano para o Fundeb, o fundo do ensino básico que Bolsonaro colocou como prioridade do seu governo e vence no final do ano. 

Que seja a segunda opção.

Acadêmico de Direito, filiado ao Cidadania, Editor do MBL News e Comentarista do Café com MBL.