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CLDF: mansplaining e manterrupting são inclusos em debate

A comissão geral presidida por Leandro Grass (Rede) teve entre os tópicos o feminicídio e a desigualdade salarial entre homens e mulheres

22/03/2019 15h32

Revisão: Kdu Sena 

Durante uma comissão geral na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública do DF, Dulcielly Nóbrega, trouxe ao debate os conceitos de mansplaining e manterrupting, insinuando que representavam violência no exercício do trabalho. Esses dois termos viraram piada na internet há cerca de um mês após terem sido usados pela youtuber Kéfera. A comissão foi presidida pelo deputado distrital Leandro Grass (Rede), e teve como pauta principal o “machismo institucional”.

Ao tratar sobre violência contra a mulher, Dulcielly falou que “[o feminicídio acontece] pelo simples fato de sermos mulheres”. A coordenadora não foi a única especialista que falou na Comissão Geral. A professora da UnB, Lia Zanotta, afirmou que o machismo faz parte da estrutura da sociedade brasileira, sendo resultado de um passado “racista” e “sexista”. Para ela, essa cultura deve ser mudada a partir da educação: “Não podemos pensar em um sistema educacional que não fale sobre educação de gênero”.

A distrital do Novo, Julia Lucy, também marcou posição no debate. Após eleita, ela diz ter sido alvo diversas vezes da mesma frase: “Estou feliz por você ter sido eleita, agora a Câmara está mais bonita”. Lucy disse que, como policial federal, demorou um certo tempo até que fosse “levada a sério”, enquanto que os homens, segundo ela, eram respeitados imediatamente. 

A deputada federal Flávia Arruda (PR-DF) concordou com a distrital e disse que “é preciso combater o machismo, que está entranhado na sociedade em todos os lugares, inclusive nas próprias mulheres”. 

Sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres, Lucy disse que uma das raízes do problema vem do fato de a responsabilidade de criar os filhos vir apenas das mulheres. “Enquanto for responsabilidade só das mulheres criar os filhos, elas não terão oportunidades iguais no mercado de trabalho”, ela disse.

O deputado distrital Leandro Grass, que presidiu a Comissão, apoiou o movimento da ONU “ElesPorElas”. Segundo ele, “o machismo é protagonizado por homens, mas também somos vítima dele”. Para Arlete Sampaio (PT), “é essencial trazer essa discussão para o seio dos homens, para abandonarem ações, comportamentos e falas machistas”, acrescentou a distrital Arlete Sampaio (PT).

Apesar do tema, a Comissão foi idealizada por um homem, o também presidente dessa, Leandro Grass. 

Fonte: Imprensa Oficial.