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Politica Regional
Candidatas Laranjas no PSDB-DF?

Candidatas do PSDB receberam bolada e tiveram votação pífia para a CLDF

15/02/2019 15h05

Revisão: Kdu Sena

No caminho das suspeitas de candidaturas laranjas reveladas pela imprensa nos últimos dias, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) do Distrito Federal chama a atenção pela quantidade de mulheres que disputaram as eleições de 2018 e conquistaram votação pífia.

Embora tenham recebidos altas quantias de dinheiro da direção nacional – e até mesmo de colaboradores –, o resultado final na corrida a diversos cargos eletivos foi desproporcional ou nula aos investimentos recebidos.

O PSDB teve 26 candidatos para deputado distrital, apenas 4 conseguiram receber mais de 1.000 votos. Raad Júnior, filho do ex-deputado distrital Raad Massouh, recebeu 3.807 votos e foi o mais votado dentro do seu partido.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), candidaturas “com votação ínfima ou não existente” podem indicar o que a Corte considera como “candidaturas laranjas”.

Uma das campanhas sob suspeita foi da professora derrotada ao Senado Amábile Pacios. Apesar de ter disputado pelo Partido da República (PR), ela recebeu do PSDB tucano R$ 300 mil. Sendo que o partido tinha concorrente à mesma vaga no DF: o ex-deputado federal Izalci Lucas, que se elegeu senador. Os dois fecharam uma coligação, mas o próprio PR não acreditou tanto assim no projeto político: doou apenas R$ 20 mil para a campanha de Amábile Pacios.

Embora o PR não tenha feito doações altas para a ex-candidata, o empresário Luiz Felipe Belmonte dos Santos doou R$ 1,19 milhão para a professora aposentada, segundo o TSE.

O fato curioso é que Belmonte, filiado ao PSDB, é o primeiro suplente do senador Izalci Lucas, este  disputava com Amábile uma cadeira no Senado. Historicamente, ela é uma fiel aliada do tucano e eles militavam juntos na área educacional, inclusive no próprio PSDB, sigla à qual já foi filiada. Outra curiosidade é que o empresário é marido da recém-eleita deputada federal Paula Belmonte (PPS-DF.). Além disso, Luiz Belmonte doou R$ 1 milhão para a campanha de Izalci.

A professora aposentada ficou em penúltimo lugar ao Senado Federal: na 13ª colocação com apenas 43.089 votos.

Mônica Alvares, que disputou a cadeira da CLDF pelo PSDB, obteve apenas 103 votos. Mas, chama atenção dela ter recebido quase R$ 159 mil reais do partido. Ou seja, um custo estimado de R$ 1,5 mil por cada voto conquistado.

Outros candidatos do PSDB também chamam a atenção: Noemi Beruzzi, recebeu do PSDB R$ 156,4 mil e obteve 392 votos; Lúcia Félix, recebeu do PSDB R$ 32 mil e obteve 242 votos

Das nove candidatas do PSDB-DF, pelo menos quatro delas não apresentaram a prestação de contas e estão inadimplentes com a Justiça Eleitoral. São elas: Kellynha da Estrutural, Lucimara Fagundes, Mara de Todos e Professora Helcimar. Das que declararam recursos ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF), Elayne Thiago foi a menos abonada, ela recebeu R$ 10,8 mil do partido e conquistou apenas 22 votos.

Sobre a candidatura de Amábile, o senador Izalci Lucas esclareceu que a concorrente era filiada ao PSDB, mas acabou mudando de última hora para o PR. “A nossa ideia inicial era de que ela fizesse uma chapa pura do PSDB para o Senado. Todo mundo sabia que eu queria vê-la eleita, mas não foi o que aconteceu. Fizemos uma dobradinha para a vitória, mas a candidatura prioritária era a minha. Não conseguimos dar para a Amábile o que o Rollemberg depositou na Leila. Não houve armação alguma. Era para ela ter sido eleita”.

De acordo com a advogada Luciana Loureiro, coordenadora jurídica do PSDB-Mulher, braço da sigla responsável pelas postulantes femininas, o partido foi “rigoroso” no combate às candidaturas laranjas, por determinação da ex-governadora do Rio Grande do Sul e presidente do PSDB-Mulher, Yeda Crusius. “Ela esteve pessoalmente com a presidente do TSE, Rosa Weber, e firmou o pacto contra essa prática”, disse.

Segundo Luiz Belmonte, a doação esteve dentro dos limites previstos na legislação eleitoral. “O valor estava dentro dos limites legais. Não tenho problema legal, porque a lei me permitiu; não tenho problema moral, porque ela era da minha coligação; e não tenho problema ético com isso, porque foi uma estratégia para torná-la conhecida e, assim, tirar votos de nossos concorrentes reais”, disse.

Lúcia Félix afirmou ter havido “canalhice pura do PSDB-Mulher” e culpa a coordenadora jurídica da sigla. “O PSDB-Mulher recebeu o terceiro maior montante de recursos para mulheres. Não adianta ter mulher na política sem ter verba na campanha. A Luciana direcionava o recurso para quem ela queria”.

Segundo ela, Izalci teria usado a verba das mulheres para turbinar a pré-campanha dele. “Não tivemos cursos, como ocorria anteriormente no partido. O que recebi foi para que meu material tivesse a foto do Geraldo Alckmin. Não deram nada para mim, apenas para quem era ligada ao Izalci. Tudo era apenas direcionado ao projeto do Izalci, e minha campanha se tornou um fiasco”, declarou.

 Na contramão disso, o Coordenador Nacional do MBL e deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), apresentou em seu primeiro dia de Congresso um projeto de lei para a extinção do fundo partidário e eleitoral. Em sua campanha eleitoral, Kim e o candidato a deputado estadual Artur Mamãefalei (DEM-SP), devolveram juntos ao partido a quantia de R$ 1 milhão de fundo partidário. Embora eleitos, a campanha de ambos foi feita inteiramente por meio de doações.

Fonte: Metrópoles

Administrador, Jornalista, Professor e Pesquisador. Graduado em Administração e Comércio Exterior. Pós-graduado em Direito, Docência e Gestão Pública. Mestre em Economia pela UnB.