USPiana, católica, mãe de pet e aficionada por educação e política.
Vamos Juntas: a busca por justiça da Tabata Amaral

Estive presente no lançamento do #VamosJuntas e encontrei menos pré-candidatas do que esperava.

20/12/2019 17h42

Mais mulheres na política, não é uma pauta da Júlia ou da Tabata, mas sim de mulheres que se sentem parte do problema tendo o dever cívico de ser parte da solução!

Ontem, finalmente fui no prometido evento da Deputada Federal Tabata Amaral, aqui em São Paulo e me deparei com nomes de protagonistas ou em ascensão em suas respectivas áreas como a Rafa Brites – ex-apresentadora da rede Globo, Malu Molina – dep. estadual suplente do PDT/SP, Isabela Rozzino – diretora do Mapa da Educação, Irina Bullara – diretora do RenovaBR, Mafoane Odara – Instituto Avon e Soraya Santos – Dep. Federal do Rio de Janeiro.

Se você, assim como eu, ficou sabendo do movimento Vamos Juntas no susto ou nem ficou sabendo – sem novidades – o evento não foi divulgado com muita antecedência nas plataformas da Deputada e nem em outras mídias, mas teve um público médio, o que já é muito bom e difícil, quando falamos em juntar mulheres para falar de política – infelizmente.

O movimento é uma iniciativa que traz o compromisso de apoiar e estruturar uma rede que aproxime mulheres da política… entretanto essa não é a primeira iniciativa desse tipo que está emplacando no momento, também existe o Agora É Que São Elas, Elas no poder, entre outras estruturas voltadas para o engajamento de mais mulheres na política – isso pode ser um efeito da cota dos 30% ou é uma genuína mudança que se inicia com o público feminino? Fica o questionamento para você leitor.

Até certo ponto isso é ótimo, pois nós mulheres não podemos nas próximas eleições replicar a vergonha das candidaturas laranjas, política é relacionada ao seu propósito e as perguntas que você deve a si mesmo são:

  • Porque você quer estar na política?
  • Você acredita que os seus valores e a sua história podem ajudar na transformação do Brasil?

Sai do evento com a sensação de algo que eu já sabia: Política não é lugar para gente despreparada, mas nós temos, como civis, o dever e a missão de entregar um mundo melhor para as próximas gerações.

O evento não chegou a lotar todas as cadeiras, mas juntou um número significante e diverso de mulheres, e foi feita uma pergunta, que eu já imagina a proporção das respostas : Quem vai ser candidata em 2020? E poucas mulheres levantaram a mão. Não foi a primeira vez que eu vivenciei essa resposta que me causa angustia. Como que dentro de um evento feito para apoiar candidatas são tão poucas as mulheres que querem se candidatar? Nós somos parte do problema e devemos ser parte da solução!

Não é a primeira vez que eu me deparo com essa baixa proporção de mulheres intencionadas em serem candidatas em 2020, na formatura do RenovaBr no inicio do mês, e o que eu mais ouvi com as mulheres que conversei foi: na próxima eleição com certeza, nessa ainda não estou pronta. E é nesse momento que a angustia retorna: NÓS NUNCA VAMOS NOS SENTIR PRONTAS?

Essa é a tal Síndrome da Impostora, se você ainda não conhece, ela é exatamente essa pergunta que eu fiz agora: Eu sou boa o suficiente? Eu não vou me candidatar pois ainda falta… Sempre vai faltar algo, essa é a realidade e você tem que vencer você mesma, nós só podemos te ajudar.

Termino esse texto com a estima que o movimento suprapartidário, nacional, inclusivo e diverso, feito para levar MULHERES QUALIFICADAS para política, pois ser mulher na política, não é pauta de político. O recado da Deputada foi dado, o movimento não tem régua partidária e está aberto para futuras candidatas. Espero que o movimento não decepcione ou mingue e que saiam candidatas competentes para que nossos municípios sejam um reflexo maior dos 15% da Câmara dos Deputados.