Estudante de direito, jogador de futebol quando a dor nas costas permite e um liberal radical
V Congresso Nacional do MBL

Uma análise política do congresso e a mensagem passada

19/11/2019 10h14

Nos dias 15 e 16 de novembro, em São Paulo, aconteceu o 5º Congresso Nacional do Movimento Brasil Livre. Um evento que, ainda em sua divulgação, criou enormes polêmicas. Além disso, tinha como objetivo tirar o ouvinte da zona de conforto e mostrar que há uma alternativa de direita: independente, coesa, coerente e com respaldo na sociedade civil organizada.

O evento aconteceu sem puxar saco de governo, de político, sem clamar por um herói e sem dinheiro público. As “pratas da casa” mostraram enorme coerência ao defender o implacável combate a corrupção, a preservação de um Estado Democrático de Direito e suas instituições, o livre comércio e a importância do bom humor. Os convidados, mesmo aqueles ideologicamente divergentes, foram todos respeitados, ouvidos e admirados pela plateia. Contudo, esse texto não tem o objetivo de apenas narrar o que aconteceu, mas enaltecer a mensagem transmitida pelo MBL, ao público presente e também para a comunidade política.

Em primeiro lugar, o movimento mostrou a sua autonomia em relação aos grupos governistas, que tapam os olhos perante os erros do presidente e de seus comunicadores. Essa independência é vista no comprometimento com os ideais liberais (ceticismo quanto ao governo) e conservadores (prudência). Esse compromisso é característico da maturidade adquirida pelo ato de fazer política em si.

Nesse contexto, há uma base intelectual e operacional da militância, uma maneira de agir que carrega o “selo” MBL. Ali, militantes de todo o Brasil carregavam consigo o espírito de um Brasil Livre. Ulteriormente, vale ressaltar que a existência dessa coesão não pressupõe a ausência de divergências. O campeonato de debates provou isso, já que apesar do nível abaixo do esperado, era possível defender ou combater pautas relevantes com o espírito do movimento.

Consequentemente, temos a coerência como pilar de ação e posicionamento. A sabedoria popular já ensinava: quem não deve, não teme. Em um bom português: se você não tem patrão, pode se posicionar de acordo com o que acredita. Mais claro ainda: se você não depende de dinheiro de partido e/ou financiamento de político, pode lutar pelo que é certo.

E é isso que conquista o apoio da sociedade civil organizada. O MBL existe. Não é só uma página de memes no Facebook, tampouco apenas um canal de vídeos no Youtube; é sim um agente político com respostas e atos reais.

A soma desses elementos tornou o “grupo de desajustados” um eixo de poder, uma alternativa ao decadente bolsonarismo; e o congresso deixou essa mensagem explícita. O MBL fecha 2019 como uma peça determinante no jogo. Referenciando Zygmunt Bauman, uma peça sólida em tempos de liquidez. Uma estrutura política capaz de aguentar ataques, campanhas e movimentos judiciais sujos que desejam sua extinção. Não, o congresso não foi algo conjuntural. Ele inaugurou, no Brasil, algo raro e perene: a boa política conservadora. Honesta, independente, coerente, moderada e propositiva.