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Acadêmico de Direito, filiado ao Cidadania, Editor do MBL News e Comentarista do Café com MBL.
Uma ode ao centro político

Bolsonaro sobre críticas à PGR: “Se não acreditam em mim, mais cedo PT volta”.

06/09/2019 22h09

Os pêndulos do atual governo estão extrapolados num sentido binário. Pautas atribuídas à esquerda como direitos humanos, meio ambiente e diminuição da desigualdade foram jogadas, aos olhos dicotômicos do planalto, às favas.

O tecido político que começou a ser destruído com o PT ainda encontra obstáculos (embora menores) no bolsonarismo. Basta ver o trato do presidente com instituições que deveriam ser bastiões da República como o judiciário, o parlamento, a mídia e as universidades.

O patrimonialismo, com a maioria dos políticos vendo os cargos públicos que ocupam como uma propriedade sua, ou de sua família, em detrimento dos interesses da coletividade, segue dando o tom na terra de Santa Cruz, assim como o corporativismo e o clientelismo tão caro ao atraso do nosso país.

Obviamente — e acho muito importante dizer —, que a solução não virá do antigo partido hegemônico brasileiro. O PT de Lula e Dilma esgarçou o tecido político com a corrupção e o aparelhamento das instituições, além de destruir a economia, ao ponto de atrapalhar até a questão social que o partido ajudou a melhorar.

Uma viagem ao centro político, longe do pensamento binário entre Bolsonaro e Lula, deve ser o cerne. O centro político é o local do debate. Uma vez que política é a arte do possível, o convencimento necessita de dialogo e abertura.

O centro político não é o dito centrão, que pode até resolver um ou outro problema econômico, como a atuação do mesmo em pautas caras ao Brasil como PEC do Teto, reforma trabalhista e previdenciária. O centrão, porém, não resolve problemas de longo prazo como o patrimonialismo, o clientelismo, o coronelismo e o corporativismo.

Há movimentos para a criação de um centro virtuoso. FHC é e sempre será um grande quadro político que merece ser ouvido. A reformulação do PPS, virando o Cidadania 23, que poderá englobar o PV e a Rede idem. Movimentos de renovação política como o Renova Brasil e a RAPS estão introduzindo bons e novos quadros ao debate político brasileiro. Assim como o Novo e o Livres.

O recém-lançado documentário produzido pelo MBL é uma ode à política e, por que não, ao centro político, terra da seguinte unanimidade: não há caminho longe da democracia liberal de instituições fortes. Nem longe do capitalismo de livre mercado e preocupado com a questão social. Partindo disso, surgem os debates e os diálogos, com a prerrogativa de que o outro não é um inimigo e sim um igual, mesmo com divergências.

Jair Bolsonaro é um cavalo (no sentido mediúnico da palavra) do bolsonarismo. É um erro focar apenas no ser, quando o problema é externo a ele. O caldo cultural que o elegeu permanecerá na sociedade a menos que haja a construção de um centro político.

Até lá, como diz Luciano Huck, viveremos o último capítulo do que não deu certo.